terça-feira, 2 de agosto de 2011

Porção Semanal: Devarim
Bereshit 47:28 - 49:26


Esta semana começamos o quinto e último livro da Torá, Devarim (Deuteronômio), conhecido na literatura rabínica como Mishnê Torá, a revisão da Torá. Seu conteúdo foi falado por Moshê ao povo judeu durante as cinco semanas finais de sua vida, enquanto o povo se preparava para entrar na Terra de Israel. Nele, Moshê explica e comenta muitas das mitsvot outorgadas previamente e outras que aqui aparecem pela primeira vez. Ele também os adverte continuamente a permanecer diligentes e fiéis às leis e ensinamentos de D’us.

A Parashat Devarim (Devarim 1:1-3:22) começa com a velada censura de Moshê, na qual faz referência aos numerosos pecados e rebeliões dos quarenta anos anteriores. Prossegue então relatando vários dos incidentes mais significativos que ocorreram com o povo judeu no deserto, lançando uma luz sobre as narrativas prévias da Torá.

Moshê fala da malograda missão dos espiões: dez dos doze homens enviados para vigiar a terra tinham voltado com um relatório negativo, e devido à falta de fé do povo, D’us condenou toda a nação a vagar por quarenta anos no deserto, tempo durante o qual a geração do êxodo morreu. Moshê então avança para discutir a conquista dos Filhos de Israel da margem leste do Rio Jordão. A Porção da Torá conclui com palavras de encorajamento para o sucessor de Moshê, Yehoshua.
( Mensagem da Parashá )


Repita o que eu disser
por Benyamin Cohen

O Livro de Devarim contém as palavras de Moshê aos Filhos de Israel; é basicamente um sumário dos primeiros quatro livros da Torá. De fato, a palavra "Deuteronômio", tirada da palavra grega Deutronomion, na verdade significa "Segunda Lei", basicamente uma repetição da Torá. Isso nos faz pensar. Por quê? Por que razão D’us incluiu na Torá todo um quinto livro que consistia basicamente de uma revisão? Os primeiro quatro livros não foram suficientes?

Compreensivelmente, podemos extrair um lição significativa da inclusão deste quinto livro, aparentemente supérfluo. Talvez a seguinte intrigante declaração, conforme relatada no Talmud, possa lançar um pouco de luz na situação. O Talmud enfatiza que quando uma pessoa está revisando algo, deveria fazê-lo por 101 vezes. Qual a diferença entre 100 e 101 vezes?

Os comentaristas do Talmud explicam que, sob uma observação psicológica, a pessoa revisará um conceito 100 vezes simplesmente para alcançar um objetivo elevado. A verdadeira revisão é superada pela conquista manifesta da pessoa. Em termos bem simples, 100 é um belo número redondo. Revisar 101 vezes demonstra a suprema natureza do caráter da pessoa envolvida. Ao revisar 100 vezes, dirá talvez: "Completei minha missão. Posso sair e me divertir agora." Revisar 101 vezes, no entanto, diz que você está acima e além do chamado do dever.

Quantas vezes ao final de uma palestra declaramos: "Puxa, isso foi incrível. Pretendo aproveitar estas lições em minha vida cotidiana." Quantas vezes aprendemos algo em uma aula que realmente nos inspira? Quantas vezes lemos um artigo sobre as lições da Torá pensando como ele é esclarecedor? Porém, apenas um dia depois, as lições e inspirações simplesmente desaparecem. Voltar aos nossos empregos e rotinas diárias simplesmente apaga aquilo que aprendemos apenas um dia antes.

Se pudéssemos separar o curto tempo necessário para revisar, imagine como seria mais duradouro o impacto que teriam estas lições. Ao implementar até mesmo o mais brando regime de revisão, podemos usar as lições que aprendemos na aula ou lemos em um livro para elevar-nos a níveis mais altos na compreensão e prática da Torá, sem ao menos percebermos isso. Pense nos resultados! Serão literalmente espantosos.

Se está pensando em revisão, leia este artigo uma vez mais.
Moshê reúne a nação

Benê Yisrael atingiram o final de seus quarenta anos no deserto. Todos os homens da geração de Moshê haviam morrido, e seus filhos agora eram adultos. Acamparam nas planícies de Moav. Esta era a última parada antes de Êrets Yisrael.

Aharon e Miriam não eram mais vivos. Apenas Moshê sobrevivera: tinha 120 anos de idade. Mas parecia um homem jovem! Suas faces não eram encovadas, e não era enrugado. Seu rosto brilhava com os raios da Shechiná. Era forte e caminhava com os passos largos de um homem jovem.

Porém, Moshê estava ciente de que não cruzaria o Rio Jordão e não entraria em Êrets Yisrael. "Preciso falar com Benê Yisrael pela última vez," pensou ele. "Repetirei a eles a Torá e as mitsvot, para me certificar de que as aprenderam bem. Também os ensinarei novas mitsvot que ainda não aprenderam."

"Primeiro discutirei os pecados que seus pais cometeram no deserto. Isto os ajudará a fazer teshuvá e evitar transgressões similares. Sabendo que logo morrerei, certamente eles me darão ouvidos."

A primeiro de Shevat, em 2.488 (trinta e seis dias antes de sua morte), Moshê anunciou: "Todo o Povo de Israel deve se reunir e escutar minhas palavras!"

Por que Moshê desejava que cada judeu ouvisse seu discurso? Ele pensou: "Se alguém estiver ausente agora e mais tarde ouvir minhas palavras repetidas através de outros, poderá discordar de algumas partes. Isso de forma alguma deve acontecer! Deixe que todos estejam presentes agora e ouçam o que tenho a dizer. Se alguém achar que estou errado, poderá falar agora e esclarecerei minhas palavras!"

É difícil imaginar isto, mas o último discurso de Moshê durou trinta e seis dias! A cada dia, Benê Yisrael se reunia e escutava as palavras de Moshê e seus ensinamentos. Todo o Livro de Devarim é o discurso de Moshê!

Moshê começa a falar

A voz de Moshê não era alta o suficiente para atingir 600.000 pessoas, mas ocorreu um milagre, e ele pôde ser ouvido por todos os judeus presentes.

Moshê Rabênu começou: "Falarei a vocês sobre seus pecados no deserto. Devem entender que a única razão pela qual lembro estes episódios é porque eu os amo. Quero ajudá-los a refinar-se e a fazer teshuvá."

"Um mês depois de começarmos a viajar no deserto, a massa que trouxemos do Egito acabou. Vocês se queixaram: ‘No Egito sempre tínhamos bastante para comer. Morreremos todos de fome! Queremos pão e carne!’

"Embora reclamassem ao invés de confiar em D’us, Ele foi misericordioso. Fez cair o maná do céu e também forneceu carne fazendo cair pássaros. D’us fez o maná cair diariamente por quarenta anos."

O povo ouviu estas palavras. Pensaram: "Como Moshê tem razão! Não confiamos em D’us. Em vez de reclamar, deveríamos ter tido fé. No futuro não mais reclamaremos, mesmo se as coisas ficarem difíceis."

Moshê esperou. Alguém iria discutir? Alguém o contradiria? Mas todo o Povo de Israel permaneceu em silêncio. Concordaram com Moshê e fizeram teshuvá.
Isto é verdadeiramente espantoso. Se nós tivéssemos estado lá, certamente teríamos feito uma objeção: "Moshê, não reclamamos pela falta de comida. Nossos pais o fizeram!"

O pecado mencionado por Moshê havia acontecido quarenta anos antes, no início da caminhada pelo deserto. Naquela época, a geração que agora escutava Moshê ainda não havia nascido ou então eram criancinhas.

Mesmo assim, ninguém falou: "Não somos culpados!" Isto demonstra que a nova geração era de verdadeiros tsadikim. Grandes tsadikim aceitam a responsabilidade até pelos erros de seus pais, como se fossem os seus próprios. O povo estava envergonhado e fez teshuvá pelas falhas dos pais.

Moshê continuou: "Lembram-se do que aconteceu nas planícies de Moav?"

Benê Yisrael curvou a cabeça, sentindo vergonha. Lembraram-se do pecado em Chitim, nas planícies de Moav, apenas uns poucos meses antes. Na maioria, apenas os membros da tribo Shimon havia pecado com as filhas de Moav. Haviam também servido ao ídolo Ba’al Peor. Os pecadores foram condenados por Moshê, e uma praga havia irrompido. Esta cessou apenas após Pinechás matar Zimri e rezar a D’us.Os ouvintes fizeram teshuvá por isto, também, embora não tivessem participado, e os verdadeiros culpados já tivessem morrido.

Novamente, foi ouvida a voz de Moshê:

"Como vocês se comportaram nas praias do Mar Vermelho, quando viram o exército do Faraó se aproximando de nós? Entraram em pânico! Alguns de vocês gritaram de medo: ‘Se ao menos tivéssemos morrido no Egito, ao invés de sermos mortos aqui pelo exército do Faraó!’

"Mesmo depois que D’us afogou o exército do Faraó, vocês não confiaram n’Ele. Pensaram que os egípcios tinham escapado do Mar Vermelho assim como vocês! Para provar que estavam errados, D’us ordenou que o mar jogasse os corpos dos egípcios nas praias. Apenas então acreditaram no milagre."

Novamente, Benê Yisrael concorda com Moshê e aceita os erros dos pais como se fossem seus.

Moshê continuou. "E recentemente – após a morte de Aharon – vocês reclamaram sobre o maná! D’us disse-lhes que deveriam se aprofundar no deserto, à terra de Edom. Vocês objetaram: ‘De volta ao deserto outra vez? Estamos fartos de sempre comer maná.’"

Uma vez mais, os ouvintes aceitaram as duras palavras de Moshê. Esta era de fato uma geração notável! Ninguém gritou: "Pessoalmente, não tenho culpa!"

Moshê ainda não terminara com a lista dos erros: "Todos se lembram do que aconteceu no deserto de Paran! Vocês enviaram espiões! Mais tarde, quando se aproximaram de Chatserot, Côrach se rebelou!"

Finalmente, Moshê falou sobre o pecado mais grave de todos: o bezerro de ouro.
"Vocês estavam ricos com ouro quando saíram do Egito!" Moshê disse: "Porém, usaram-no para fazer um bezerro de ouro. Ao invés de terem sido destruídos, D’us ordenou que construíssem um Mishcan e perdoou-os pelo mérito do Mishcan."
Novamente, Benê Yisrael aceita a admoestação de Moshê. Fizeram teshuvá pelo pecado do bezerro de ouro.

O quê a Torá nos diz sobre estas falhas

Se você abrir o Livro da Torá nesta parashá e tentar encontrar o discurso de Moshê, ficará surpreso. Não está lá!

Tudo que se pode encontrar na Torá são estas poucas palavras: "Moshê falou a Benê Yisrael sobre o que aconteceu nas planícies de Moav, no Mar Vermelho, no deserto"... E assim por diante. A Torá apenas menciona o nome de cada local onde um pecado aconteceu. Por que não há mais detalhes?

D’us queria poupar o povo judeu da vergonha de ter um grande número de falhas enumeradas no início de um novo Livro da Torá. Por consideração para com os judeus, a Torá Escrita apenas dá indícios do discurso de Moshê (Shabat Shalom )

terça-feira, 26 de julho de 2011

Porção Semanal: Massê Bereshit 47:28 - 49:26


A Parashat Mass’ê (Bamidbar 33:1 - 36:13) inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo judeu durante seus quarenta anos no deserto, começando com seu Êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão.

Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá delineia as fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol.

Após estabelecer os parâmetros para as várias categorias de assassinato, o livro Bamidbar conclui com informação mais completa a respeito das filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.Mensagem da Parashá


Uma rota para o equilíbrio
por Rabi Yonason Goldson

DO povo judeu é único no sentido de ser verdadeiramente um, não uma coleção de indivíduos juntando-se para formar uma nação, mas uma única alma coletiva dividida em entidades separadas. Cada um tem uma identidade definindo seu papel especial como parte integral do todo. Assim como o corpo humano não funciona adequadamente a menos que cada parte faça seu trabalho, assim também a neshamá judaica coletiva adoece quando os indivíduos que a compõem não cumprem suas responsabilidades. E quando o corpo não está bem, todas suas partes sofrem.

O poder e responsabilidade a nós confiados por D'us são impressionantes, e as conseqüências de nossas falhas são potencialmente desastrosas. O Criador, em Sua infinita sabedoria, entendeu que a maioria de nós inevitavelmente tropeçaria de vez em quando durante nossa passagem pela vida neste mundo, portanto Ele construiu em Seu plano da criação um plano de emergência: quando uma pessoa tropeça, outra pode ajudá-la; quando algum judeu danifica o universo por agir de forma irrefletida ou descuidada, outro judeu pode reparar seu dano.

Aqueles tsadikim, os justos que mergulham no estudo e prática da Torá de D'us, são a equipe da reparação. Ao atingirem níveis ainda mais elevados de entendimento e observância através de sua sensibilidade a cada nuance e entonação das palavras da Torá, retificam os enganos cometidos pelo restante de nós, e nos guiam em direção a um maior entendimento de nós mesmos, para que não erremos novamente.

Nas palavras da porção desta semana da Torá há uma sutil alusão a estas idéias. Quando alguém reconta suas viagens, normalmente diz que viajou a um determinado lugar e lá permaneceu. A Torá, entretanto, ao recontar as jornadas dos filhos de Israel, emprega um fraseado estranho, sem mencionar chegada alguma. Além disso, a lista começa declarando: "E Moshê escreveu as suas saídas, conforme as suas jornadas… e essas são suas jornadas conforme as suas saídas." (Bamidbar 33:2); além da aparente inconsistência e redundância, o próprio significado do versículo é evasivo.

As palavras deste versículo contêm o seguinte significado alegórico: em nossas jornadas pela vida, como as viagens dos filhos de Israel pelo deserto, às vezes "viajamos" para fora do caminho que D'us preparou para nós, e nos tornamos perdidos em um deserto espiritual. Nestes momentos, os justos dentre nós "saem" para retificar o que fizemos; pela sua persistência pessoal no estudo e prática da Torá, guiam-nos de volta ao caminho certo pelo exemplo que estabelecem. Dessa maneira, após "nos afastarmos" de um lugar, eles "acampam" no próximo, significando que eles restabelecem o balanço celestial do universo, e restauram a direção do povo judeu à sua correta orientação.

Quem são estes tsadikim?

Ninguém deveria ficar satisfeito com suas conquistas, dizem nossos sábios, até que tenha atingido o nível de nossos antepassados Avraham, Yitschac e Yaacov. Esta não é uma tarefa impossível? Assustadora, talvez, mas não impossível, pois os sábios com suas palavras pretendiam transmitir-nos que assim como os Patriarcas aperfeiçoaram-se ao perceber o completo potencial que D'us lhes concedeu, assim também seremos como eles se desenvolvermos ao máximo nosso potencial.

Dessa maneira, pedimos três vezes ao dia ao Criador em nossas preces para "colocar nosso quinhão junto deles – os justos – para sempre".

Ele nos guie e nos ajude a desenvolvermo-nos até o limite de nosso potencial, para que possamos ser contados juntos com os justos neste mundo e no vindouro.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Amor

Um pescador certa vez pescou um salmão. Quando viu seu extraordinário tamanho, exclamou: "Que peixe maravilhoso! Vou levá-lo ao Barão! Ele adora salmão fresco."

O pobre peixe consolou-se, pensando: "Ainda posso ter alguma esperança."

O pescador levou o peixe à propriedade do nobre, e o guarda na entrada perguntou: "O que tem aí?"

"Um salmão", respondeu o pescador, orgulhoso.

"Ótimo", disse o guarda. "O Barão adora salmão fresco."

O peixe deduziu que havia motivos para ter esperança. O pescador entrou no palácio, e embora o peixe mal pudesse respirar, ainda estava otimista. Afinal, o Barão adora salmão, pensou ele.

O peixe foi levado à cozinha, e todos os cozinheiros comentaram o quanto o Barão gostava de salmão. O peixe foi colocado sobre a mesa e quando o Barão entrou, ordenou: "Cortem fora a cauda, a cabeça, e abram o salmão."

Com seu último sopro de vida, o peixe gritou em desespero: "Por que você mente? Se realmente me ama, cuide de mim, deixe-me viver. Você não gosta de salmão, gosta de si mesmo!"

Reflexão

Uma mãe levou o filho pequeno ao fundo de um vale, e disse: "Grite as palavras: 'Eu te odeio'!" De repente, ele ouviu o som assustador de "EU TE ODEIO, Eu Te Odeio, Eu Te Odeio!" ecoando pelo vale.

Ela voltou-se para o filho e pediu: "Agora grite as palavras 'Eu Te Amo' o mais alto que puder."
Ele gritou com todas as forças: "EU TE AMO!" De repente, ouviu: "Eu TE AMO, Eu Te Amo, Eu Te Amo!" ecoando ao seu redor.

"Olhe dentro de um lago e veja um espelho de água refletindo sua imagem. Ame outra alma e seu amor se refletirá de volta para você."

Adaptado do Tanya, cap. 46

Auto-Refinamento

"Um judeu é como uma vela," explicou certa vez o Rebe a um chassid, "e sua tarefa é acender outros judeus."

O chassid perguntou: "Rebe, o senhor já acendeu minha vela?"

O Rebe respondeu: "Não, mas eu dei o fósforo a você. Agora deve riscá-lo e acender a si mesmo."

"Se você deseja consertar o mundo, comece consigo mesmo."

"Fique tão ocupado melhorando a si mesmo que não sobre tempo para criticar os outros."

"Aquele que rema o barco não tem tempo para balançá-lo."

"Antes de acordarmos, a neshamá do dia clama e implora: 'Por favor, faça o melhor para mim!
"Quando chegar o dia em que deverei prestar contas pela minha vida, não serei indagado: 'Por que você não foi Moshê?' Eu não estava equipado para ser Moshê. Mas temo a pergunta 'Por que você não foi Zusia?'
Reb Zusia de Anipoli ( Gratidão )

Um casal israelense elogiou emotivamente seu único filho. A audiência na sinagoga ouviu com simpatia enquanto o casal falava sobre o caráter do jovem, sua apreciação pela vida, e profunda devoção à Terra Santa. Pouco depois de seu 19º aniversário, ele foi brutalmente assassinado enquanto defendia seu amado país. Em memória ao filho, os pais fizeram uma generosa doação à sinagoga que freqüentavam.

Após a apresentação, uma mulher na audiência voltou-se ao marido e sussurrou: "Vamos doar a mesma quantia pelo nosso filho."

"O que está dizendo?" perguntou o marido. "Nosso filho não perdeu a vida!"

"Por isto mesmo!", respondeu a mãe. "Vamos fazer caridade porque ele foi poupado."

Ajuda

Um menino pequeno estava se esforçando para mover um pesado armário, mas o móvel não cedia. Ele empurrava e puxava com toda sua força, mas não conseguia movê-lo nenhum centímetro. O pai, que ali chegava, parou para observar os esforços vãos do filho. Finalmente perguntou:
"Filho, está usando toda a sua força?"

"Sim, estou!" gritou o garoto, exasperado.

"Não", disse calmamente o pai, "você não está. Não me pediu para ajudá-lo.

"Quase tão bom quanto saber algo é saber onde encontrá-lo."

"Para fazer uma torta de maçã do nada, primeiro você deve criar o universo."

Crença

Um educador secular na Rússia Comunista estava dando uma aula sobre Ciências e Ética aos seus jovens alunos. O tema em discussão era a idéia de "crença versus realidade". Ele começou sua palestra com a alegação que tudo aquilo que não pode ser visto não existe.

"Vocês sabem por que não podem ver um disco voador no céu?" perguntou o professor à audiência. "Porque não existe! E pelo mesmo motivo, todos acreditamos que não há nenhum D'us neste mundo. Não podemos vê-Lo, portanto Ele não existe."

Um estudante esperto, sentado ao fundo da sala, levantou a mão e saiu-se com essa: "Isso significa que o professor não tem cérebro? Quero dizer, nenhum de nós pode vê-lo?!"
"Para quem acredita não há perguntas: para o céptico não há respostas."

"Quanto menos se sabe, mais fácil é se convencer que se sabe tudo."

Opção

Um jovem descrente, desejando testar o conhecimento de um sábio, ergueu o punho fechado na frente do homem venerado.

"O que tenho em minha mão?" perguntou o jovem.

"Uma borboleta", foi a resposta.

"Está viva ou morta?" inquiriu o rapaz.

O ancião sabia que o jovem estava brincando com ele. Se respondesse morta, o jovem abriria a mão e deixaria a borboleta voar. Se respondesse viva, o rapaz fecharia a mão e esmagaria a criatura. Então respondeu:

"Está em suas mãos – fazer aquilo que deseja com ela."

"Se você pensar que pode, ou que não pode – estará certo."

"Quando todos os elementos estão fora do seu controle, lembre-se de que ainda pode controlar a sua reação.""O dinheiro é fogo. Pode destruir e aniquilar, ou iluminar e aquecer, dependendo da maneira pela qual é usado.”
Rabi Elimelech de Lizensk
Rabi Moshe ben Nachman, conhecido pelo acrônimo “Ramban” ou Nachmanidês, nasceu em Gerona, norte da Espanha, no ano 1195 (4955), numa família rabínica proeminente. Estudou com os grandes sábios da época e foi reconhecido como a mais alta autoridade em Lei Judaica. Essa carta foi enviada por ele de Eretz Israel ao seu filho, Nachman, na Espanha, para inspirá-lo a alcançar as qualidades de santidade e humildade. Instruiu seu filho a ler essa carta uma vez por semana, bem como a transmitir esets ensinamentos a seus filhos, que deveriam sabê-la de cor, para moldar seu caráter enquanto jovens. O Ramban assegurou a seu filho que no dia em que lesse a carta, seus desejos seriam realizados pelos Céus. Também prometeu que todo aquele que se habituasse a ler esse texto seria poupado de aflições e seus pedidos serão aceitos por D’us.


Acate, meu filho, a conduta moral de seu pai, e não abandone a orientação de sua mãe. Acostume-se a falar gentilmente com todos, sempre. Isto o protegerá da ira, um dos mais graves defeitos de personalidade, que pode levar a pessoa a cometer erros.

Nossos sábios ensinaram: “Quem explodir em raiva, toda espécie de aflição o dominará, assim como está escrito: ‘Retire a raiva de seu coração e remova o mal de sua carne’.”

O mal aqui mencionado refere-se às aflições espirituais, assim como está escrito: “O perverso está destinado ao dia da aflição.”

Logo que você tenha se distanciado da raiva, a humildade entrará em seu coração. Esta é a qualidade mais fina de todas as características humanas admiráveis, assim como dizem as Escrituras: “Como consequência da humildade vem o temor a D’us. “ Por meio da humildade, o temor a D’us se intensificará em seu coração. Só assim estará ciente de onde você veio e para onde está destinado a ir. Compreenderá que sua vida é tão frágil quanto a de um molusco – principalmente na morte. Esse tipo de humildade o lembrará diante de Quem será chamado para julgamento– diante do Rei da Glória, sobre Quem está escrito:” Eis que as Alturas dos céus não podem conter-Te, tampouco os corações dos homens. E também está escrito: “Por acaso Eu não preencho os Céus e a Terra? – diz o Eterno.”

Depois de considerar bem essas idéias, se inspirará em reverência perante o Criador e agirá com cautela para não errar. Uma vez que você tenha adquirido essas qualidades, com certeza estará feliz com o seu quinhão.

Quando a genuina humildade permear todo seu comportamento – i.e., quando se portar com recato diante das pessoas, com temor diante de D’us e for cauteloso em relação às transgressões – só então o espírito da Presença Divina pairará sobre você, como também o esplendor de Sua Glória; e você viverá a vida do Mundo Vindouro.

E agora, meu filho, entenda claramente que aquele que é acometido de orgulho em seu coração em relação a outros homens se rebela contra a soberania Divina, porque se glorifica com a vestimenta de D’us, pois está escrito: “D’us reina, Ele Se adorna com o manto da grandeza.”

De que haveria o homem de se orgulhar? Se acumulou riquezas deve reconhecer que é D’us Quem torna a pessoa pobre ou rica. Se é honorável – por acaso a honra não pertence a D’us, como está escrito: “Riqueza e honra vem de Ti”? E como pode se glorificar com a honra de seu Criador? Se se orgulha com sua sabedoria, deveria entender que D’us pode remover a fluência da fala do mais competente e abolir a sabedoria do mais sábio.

Assim sendo, todos os homens se igualam diante do Criador. Em Sua ira Ele derruba os orgulhosos; por Sua vontade Ele engrandece os oprimidos. Portanto, seja humilde e o Eterno o exaltará.

Assim sendo, devo explicar-lhe como poderá se acostumar à qualidade da humildade, e seguir sempre esse caminho: suas palavras devem ser pronunciadas calmamente; sua cabeça deve estar inclinada; seus olhos devem voltar-se em direção à terra, e seu coração em direção aos céus; ao conversar com alguém, não o encare; considere todos os homens superiores a você. Se alguém é mais sábio ou mais rico, demonstre respeito. Se é pobre e você é mais rico ou mais sábio, leve em consideração que ele pode ser mais justo que você, pois as falhas dele podem ter ocorrido sem querer, enquanto sua transgressão é deliberada.

Em toda fala, ato ou pensamento seus – a todo momento – mentalize que você se encontra diante da Presença do Santo, bendito seja, e que Sua Presença paira sobre você. Como a Glória do Eterno preenche o Universo, fale sempre com reverência e temor, como um servo na presença de seu mestre.

Aja com recato diante de seu semelhante; se alguém chamar por você não responda em voz alta, mas sim gentilmente – em tom baixo, como quem está diante de seu mentor.

Tome a precaução de sempre estudar Torá atentamente, só assim será capaz de cumprir os mandamentos. Quando finalizar seus estudos, pondere sobre o que aprendeu. Observe se pode colocar tudo em prática. Revise suas ações durante a manhã e à noite; e viverá todos seus dias em arrependimento e correção.

Remova assuntos mundanos de sua mente no momento da prece. Prepare seu coração cuidadosamente perante o Altíssimo. Purifique seus pensamentos, e pondere suas palavras antes de pronunciá-las.

Comporte-se desta forma em todos os momentos enquanto viver, e assim não cometerá nenhuma transgressão; sua fala, atos e pensamentos serão íntegros. Sua prece será pura e clara, sincera e agradável perante o Onipresente, abençoado seja, como está escrito: “Quando tu preparas seus corações [em concentração], Tu estás atento [às suas preces].”

Leia esta carta ao menos uma vez por semana para cumpri-la à risca e seguir sempre nos caminhos do Eterno, abençoado seja, para que tenha sucesso em todos os afazeres e mereça o Mundo Vindouro que está reservado para os justos. Todo o dia em que você ler esta carta, os Céus responderão aos desejos de seu coração, amên sela.( Carta do Ramban ao seu filho )

Parasha Matot / Parasha resumida


Porção Semanal: Matot
Bereshit 47:28 - 49:26


Matot (Bamidbar 30:2 - 32:42) inicia-se com uma discussão das leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos). A Torá então descreve a batalha do povo judeu e a vitória sobre Midyan, seguida por uma narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra.

Antecipando a próxima chegada à Terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad adiantaram-se para requerer que sua herança fosse a leste do Rio Jordão, ao invés de exatamente na Terra Santa, pois a margem leste seria mais apropriada para seus abundantes rebanhos.

Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas sob a condição de que ajudassem o restante da nação a conquistar toda a Terra de Israel, antes de retornarem para estabelecer-se no seu legado. ( mensagem da Parashá )
Assassino impiedoso
por Ranon Cortell

Duas porções atrás, ao final da Parashá Balac, uma praga terrível e destruidora assolou os filhos de Israel, devido aos pecados instigados por nossos inimigos, os Moavitas e Medianitas.

Na mesma porção, toda nossa existência foi também perigosamente ameaçada por um hábil e poderoso feiticeiro não-judeu, Bilam, que foi contratado pelas forças conjuntas de Median e Moav para amaldiçoar o povo judeu, esperando torná-lo uma vítima indefesa para seus selvagens inimigos. Mesmo assim, na porção desta semana, quando D'us decide que chegou a hora de vingar a honra de Israel e destruir seus inimigos, Ele ordena a Moshê que destrua apenas os medianitas, permitindo que os moavitas escapem ilesos.

Por que os medianitas foram escolhidos para a destruição, enquanto que os moavitas, que lideraram a extrema intrusão, foram poupados?

Para responder esta questão, Rashi explica que os moavitas agiram puramente por razões de auto-defesa contra um inimigo avultado e potente em suas fronteiras, enquanto que os medianitas haviam se engajado em uma disputa que não lhes dizia respeito, pois não foram ameaçados pelos judeus por viverem longe da rota para a Terra de Israel. Foi pela ação de ódio infundado dos medianitas que D'us quis vingança.

Rashi explica que tal ódio e envolvimento nas disputas de outro povo é especialmente perigosa espiritualmente porque mesmo quando as partes chegam a um acordo, o ódio daquele que está de fora da disputa conservará seu vigor pois, afinal, não era baseado em coisa alguma.

Esta mensagem é especialmente fundamental para nossa geração, para quem ódio infundado é um de nossos maiores erros e desafios. O Talmud (Tratado Yoma 9b) exorta-nos que no caso do insuportável pecado de ódio fútil e infundado para com um irmão judeu, a esposa e o filho de quem odeia morrerá, D'us não o permita. Rashi explica que esta punição é midá k'neged midá, pois assim como a pessoa falhou em amar o próximo, aqueles que ama serão tirados de seu convívio. Portanto, devemos enxergar este pecado de ódio injustificado como um assassino impiedoso, e combatê-lo com fervor.

Rabi Yechiel Weinberg relata uma conversa que teve com o Alter de Slabodka. Certo dia, o Alter estava falando sobre as "Três Semanas", o período de luto pela destruição dos Templos. Resumindo, ele explicou que a razão para a instituição deste período de luto foi despertar-nos de nossa rotina de pecado e incitar-nos ao arrependimento, para que possamos nos tornar merecedores da reconstrução do Templo. A destruição do Primeiro Templo foi devida ao envolvimento do povo judeu em assassinato, idolatria e relacionamentos imorais, e mesmo assim o exílio durou apenas setenta anos. O Segundo Templo, por outro lado, apesar do envolvimento dos judeus na Torá e boas ações, foi arrasado principalmente por causa do pecado ameaçador do ódio infundado, e infelizmente ainda não merecemos vê-lo reconstruído.

"Fique atento," ordena o Alter, "esta influência sinistra ainda espreita entre nós, e infelizmente não temos o nível de boas ações e Torá que envolveu nossos antepassados." " Honestamente,"
pergunta ele, "quantos de nós, ao ver um colega elevado a uma posição de honra que acreditamos ser nossa por merecimento, não fervemos face a tão horrível insulto, e imaginamos porque nossos amigos não correram a defender nossa honra? E mesmo assim, quantos de nós simplesmente passam pelos impulsos e leis deste período sem agir sobre sua mensagem essencial – erradicar o ódio injustificado de nosso coração?"

Devemos instilar esta mensagem dentro de nós, arrepender-nos de nossos pecados cometidos, e aprendermos a praticar o amor injustificado.

Quando conseguirmos isso, e com a ajuda de D'us, o Templo será reconstruído.

Que seja brevemente em nossos dias.
Anulação de promessas

A última parashá terminou com as leis das sacrifícios de Yom Tov, e esta começa com as leis sobre promessas. A justaposição ensina que quem promete oferecer um sacrifício está obrigado a cumprir sua promessa no Yom Tov vindouro, quando visitar o Bet Hamicdash.

Às vezes achamos que as palavras que dizemos não são importantes. Afinal, não podemos vê-las ou tocá-las, por isso parecem que não deixam marcas.

A Torá nos ensina o contrário. Palavras são importantes, e um judeu deve sempre ser cuidadoso com as palavras que usa. Deveria ser especialmente cauteloso sobre fazer promessas, porque será responsável por cumpri-la. A pessoa jamais deve fazer um juramento descuidadamente. Aquele que os faz sem a devida atenção e mais tarde falha em cumpri-los, é comparado ao indivíduo que pega uma espada para golpear a si mesmo; está propenso a ferir-se.

É uma boa idéia, quando dizemos que cumpriremos uma mitsvá, adicionar as palavras: "bli neder – não é uma promessa." Se alguém declara: "Amanhã pretendo visitar meu amigo doente," ou, "Darei R$ 100,00 para tsedacá," deveria completar: "bli neder" para evitar que torne-se uma promessa.

Se alguém faz um juramento ou promessa e então percepe que será muito difícil cumpri-los, pode dirigir-se a um talmid chacham, perito em halachá (Lei Judaica), ou a três leigos. Eles poderão absolvê-lo, com base em sua declaração que quando fez a promessa, não estava plenamente consciente de todas suas implicações. Se tivesse percebido todas as dificuldades de mantê-la, não teria agido desta forma. Por isso, a promessa foi um erro de sua parte. Explica os detalhes de sua promessa ao juiz (ou juízes) que então determina se as circunstâncias permitem que seja absolvido. Se o juiz encontra um pormenor que o incomode do qual a pessoa não tenha se apercebido quando fez a promessa, pode absolvê-la.

"Teria feito esta promessa se soubesse que mais tarde se arrependeria?" pergunta-lhe o juiz.

"Não," responde a pessoa que fez a promessa.

"Mutar lecha - você está livre dela", declara o juiz.

Isto se chama em hebraico "Hatarat Nedarim", anulação das promessas.

A Guemará nos dá o seguinte exemplo sobre como anular uma promessa:

Uma história:

Rav Manna aborrece seu pai

Rav Manna certa vez fez uma promessa: "Nunca beberei o vinho de meu pai."
Quando o pai soube da promessa do filho, ficou aborrecido. Por sua vez, Rav Manna sentiu-se mal por entristecer o pai e arrependeu-se da promessa.

O pai perguntou-lhe: "Se você tivesse pensado que eu ficaria aborrecido por causa de sua promessa, ainda assim a faria?"

"Não.",replicou Rav Manna.

"Neste caso, está livre dela," declarou o pai. Este era um talmid chacham. Por isso, podia liberar o filho da obrigação de cumprir a promessa, porque achou uma boa razão para cancelá-la.

Validade

Antes da idade de bar ou bat-mitsvá, não é preciso ir ao Bet Din se alguém fez uma promessa descuidada da qual se arrepende. Estas promessas não têm validade.
Mesmo assim, é uma boa idéia treinar a criança a não fazer promessas.

Quando podem ser feitas

Há algumas situações em que nossos sábios recomendam que se faça promessas. Por exemplo, se uma pessoa encontra-s em extremo perigo ou desgosto, D’us não o permita, pode prometer dar tsedacá ou cumprir alguma mitsvá na esperança de que D’us a salve.

Exemplos de pessoas renomadas que fizeram promessas e seus motivos:

Chana – Na época posterior aos juízes, havia uma mulher justa chamada Chana. Não tinha filhos. Sempre que seu marido viajava ao Mishcan em Yerushalayim, ela o acompanhava. Lá, rezava a D’us, implorando-Lhe que lhe desse filhos.

Quando Chana completou dez anos que estava casada, fez uma promessa a D’us: "Se Tu me deres um filho, não o guardarei para mim mesma, mas ele Te servirá por toda a vida."

Chana teve um menino, a quem chamou de Shemuel. Ela manteve a promessa. Levou Shemuel ao Cohen Gadol no Mishcan, quando ele estava com dois anos de idade e havia acabado de amamentá-lo.

"Eis aqui o filho pelo qual rezei a D’us," disse. "Deixe-o ficar aqui e servi-lo."
Desde então, Chana via seu filho apenas uma vez ao ano quando ia ao Mishcan em Yerushalayim. O menino cresceu e tornou-se o famoso profeta Shemuel, líder de Benê Yisrael.

O Rei David – David não tinha desejo maior que o de construir o Bet Hamicdash para D’us. Fez uma promessa: "Não dormirei mais que o absolutamente necessário até que encontre o lugar apropriado para construir a Casa de D’us."

David cumpriu sua promessa. Quando visitou o profeta Shemuel, estudou com ele os versículos que falam da localização do Bet Hamicdash. Após passar muito tempo estudando, o Rei David concluiu que D’us queria que o Bet Hamicdash fosse construído numa colina na cidade de Jerusalém.

David Hamelech manteve sua promessa. Tinha esperança de que lhe seria permitido construir o Bet Hamicdash. Mas primeiro tinha que livrar a nação judaica dos inimigos ao seu redor. Passou muitos anos envolvido nestas guerras, até que finalmente a paz chegou para os judeus.

"Agora," pensou David, "está na hora de construir o Bet Hamicdash! Como posso viver em um lindo palácio, enquanto a Shechiná de D’us mora numa tenda?"
A arca de D’us ainda estava no Mishcan, uma tenda, assim como havia estado quando Benê Yisrael caminhava pelo deserto.

Naquela noite, D’us enviou um profeta para contar ao Rei David: "D’us não quer que você construa o Bet Hamicdash. Seu filho Salomão o construirá. Você não é a pessoa certa para construir o Bet Hamicdash, porque derramou tanto sangue durante as guerras que travou com seus inimigos."

Isto deixou David preocupado.

"D’us," pediu ele, "sou culpado por ter lutado em tantas guerras?"

"Não tema, David," D’us assegurou-lhe. "Você derramou sangue apenas em nome dos céus. A Meus olhos, suas batalhas valem tanto como se você tivesse feito oferendas no altar."

"Então, por que não tenho permissão para construir o Bet Hamicdash?" perguntou David.

D’us replicou: "Um Bet Hamicdash construído por você seria tão sagrado que Eu jamais poderia destruí-lo."

"Ótimo," disse David. "Deixe que permaneça para sempre."

D’us explicou: "Sei que no futuro os judeus cometerão pecados. Ou Eu os destruirei, ou destruirei o Bet Hamicdash, deixando-os sobreviver. Se você construir o Bet Hamicdash, jamais poderei destruí-lo. Terei que aniquilar os judeus em vez disso."

O Rei David então entendeu que não poderia realizar seu sonho de construir uma Morada para D’us. Assim mesmo, devotou o resto da vida a conseguir ouro, prata e os outros materiais necessários para a construção do Bet Hamicdash. Seus esforços foram tão grandes que D’us considerou como se ele tivesse de fato o construído!

Outra maneira de cancelar uma promessa

Aprendemos há pouco que somente um talmid chacham ou Bet Din podem cancelar a promessa de alguém se encontrarem para isso uma razão válida.

A Torá nos ensina uma outra maneira de cancelar uma promessa: Se um pai escutar a filha de doze anos, ou doze anos e meio, fazer uma promessa que ele não aprove, pode dizer: "Sua promessa é inválida." Isto cancela a promessa.

Um pai pode anular a promessa da filha apenas até o pôr-do-sol do dia em que ele a ouve. Se esperar além disso, será tarde demais.

Um marido também pode cancelar algumas das promessas de sua esposa. Ele deve também fazê-lo no mesmo dia em que a escutou. Se esperar até depois do pôr-do-sol, ela é obrigada cumprir a promessa. ( shabat Shalom )

Uma perspectiva filosófica

A cobertura para a cabeça é parte da vestimenta masculina. Seria útil primeiro considerar a origem e significado da veste humana em geral, antes de discutir a questão de cobrir a cabeça.

Segundo a opinião de muitos cientistas, a vestimenta humana originou-se por dois motivos: a) como uma proteção contra as condições climáticas (calor, frio, chuva, etc.), e subseqüentemente também para b) propósitos decorativos.

Numa investigação mais profunda, no entanto, poderia parecer que esta opinião "científica" é bastante questionável. Tendo em vista que o berço da raça humana foi um lugar onde as condições climáticas eram ideais, e mesmo assim as roupas eram usadas naqueles dias, o motivo do clima não parece aceitável.

Segundo a Torá, as roupas têm uma origem bem diferente. Somos informados pela Torá (Bereshit, cap. 3) que quando os primeiros seres humanos, Adam e Eva, foram criados, eles não precisaram de roupas e não "estavam envergonhados". Porém depois de seu pecado com a Árvore do Conhecimento, "eles souberam que estavam nus", e prepararam roupas para cobrir o corpo.

Esta mudança radical de comportamento nos primeiros seres humanos é explicada por Maimônides (Guia dos Perplexos, parte I, cap. 2). Sua explicação é citada na literatura Chabad, que lança mais luz sobre o assunto. Em resumo, é isso:

O homem foi criado todo bom, sem qualquer mal dentro dele. Não tinha más inclinações nem conhecia a tentação pelos prazeres físicos. Conseqüentemente, todos os órgãos e partes do corpo eram iguais para ele, cada qual desempenhando sua parte no cumprimento da missão Divina do homem nesta terra. Em sua pureza de mente, o sentimento de vergonha era alheio a ele. Assim como não haveria motivo para ter vergonha de ensinar a Torá para alguém, um ato que é comparado a gerar espiritualmente um filho, também não haveria motivo para ter vergonha de gerar um filho fisicamente, pois aqui, também o homem estava cumprindo a ordem Divina de "Dêem frutos e se multipliquem". Nos dois casos, a indulgência no prazer físico foi deixada de lado, havendo apenas uma consideração: o cumprimento da vontade Divina.

Depois do pecado com a Árvore do Conhecimento, nasceu no homem a consciência do prazer físico, do qual ele antes não era cônscio, quando seu ser espiritual predominava totalmente. O bem não era mais puramente bom em sua mente contaminada. Ele viu que determinadas partes do corpo estavam mais diretamente associadas com a sensação de prazer físico. A exposição daquelas partes do corpo agora provocava nele uma sensação de vergonha por dois motivos: primeiro, porque estas partes do corpo eram um lembrete da humilhante queda do homem ao poder da luxúria, e segundo, porque elas eram uma fonte de tentação. Por estes motivos, o homem sentiu vergonha de sua nudez e desejou cobrir o corpo.

Sob este ponto de vista, poderia parecer que esta sensação de vergonha não se aplica à cabeça, a base do intelecto, o bem mais elevado do ser humano, que o distingue das espécies inferiores de animais. Pois não é o intelecto o zênite de toda a criação?

De fato, o homem que pensa que não há nada mais elevado no universo que o seu intelecto consideraria uma contradição cobrir a cabeça, a base de seu intelecto, seu orgulho e bem mais valioso.

No entanto, o homem que acredita em D’us tem uma concepção diferente do status humano. Sabemos que apesar da capacidade do homem, ele é um ser muito humilde; percebemos que o intelecto, infelizmente, longe de nos afastar da tentação, com freqüência é influenciado por ela, e age como um acessório. Mesmo aquele que não pertence a esta categoria, mesmo assim sente vergonha pela insignificância do intelecto perante o Divino.

Portanto, não apenas as partes inferiores do corpo são testemunhas da queda do homem, mas até a cabeça, que abriga o intelecto, e talvez mais ainda. Eu digo "mais ainda" porque a falha do intelecto é a maior falha do homem. Pois embora uma criança imatura talvez não seja plenamente responsável por suas ações, a pessoa adulta não tem desculpa. Assim é no que tange às próprias faculdades do homem: a falha do mais elevado é a maior falha.

Quanto mais alguém está consciente de sua responsabilidade intelectual, maior deve ser a sensação de vergonha quando não consegue cumpri-la. O intelecto e o conhecimento, longe de darem ao judeu uma sensação de orgulho, lhe dão um senso de humildade, pois foram dados a ele por D’us com propósitos elevados e sagrados. Se ele não corresponde plenamente a estes propósitos, o homem médio deve ficar repleto de vergonha. Mesmo o homem justo não pode se livrar de uma sensação de vergonha, pois, sendo mais consciente da presença de D’us, cada passo intelectual à frente o aproxima mais da percepção de quão insignificante é seu intelecto na presença do Infinito. Pois "o ponto culminante do conhecimento (no conhecimento de D’us) é perceber aquilo que não sabemos."

Assim, nossa atitude de cobrir a cabeça, sempre, é uma demonstração de nossa percepção de que existe algo que está infinitamente acima de nosso intelecto, e simboliza nossa humildade e senso de vergonha na presença de D’us (Yirat Shamaim).

Algumas leis sobre cobrir a cabeça

1 – Não se deve caminhar com a cabeça nua (a distância de) quatro cúbitos.

2 – Atualmente existe uma proibição adicional, não apenas de caminhar uma curta distância, mas até mesmo sentar dentro de casa sem cobrir a cabeça.

3 – A kipá deve ser usada até quando se estiver dormindo à noite.

4 – Crianças pequenas devem ser criadas cobrindo a cabeça.....Por J. Immanuel Schochet