terça-feira, 26 de julho de 2011

Porção Semanal: Massê Bereshit 47:28 - 49:26


A Parashat Mass’ê (Bamidbar 33:1 - 36:13) inicia-se com um resumo de toda a rota viajada pelo povo judeu durante seus quarenta anos no deserto, começando com seu Êxodo do Egito e concluindo com sua chegada às margens do Rio Jordão.

Após ordenar ao povo para expulsar todos os habitantes da Terra Santa, a Torá delineia as fronteiras exatas da terra de Israel. Já que os levitas não receberiam uma porção como os demais, cidades especiais foram separadas para eles. Alguns destes locais serviriam também como cidades de refúgio para alguém que, sem intenção, tenha matado uma pessoa, e então fugiria para uma destas cidades para buscar abrigo e evitar a vingança de um parente próximo da vítima, lá permanecendo até a morte do atual Cohen Gadol.

Após estabelecer os parâmetros para as várias categorias de assassinato, o livro Bamidbar conclui com informação mais completa a respeito das filhas de Tslofchad e as leis sobre herança.Mensagem da Parashá


Uma rota para o equilíbrio
por Rabi Yonason Goldson

DO povo judeu é único no sentido de ser verdadeiramente um, não uma coleção de indivíduos juntando-se para formar uma nação, mas uma única alma coletiva dividida em entidades separadas. Cada um tem uma identidade definindo seu papel especial como parte integral do todo. Assim como o corpo humano não funciona adequadamente a menos que cada parte faça seu trabalho, assim também a neshamá judaica coletiva adoece quando os indivíduos que a compõem não cumprem suas responsabilidades. E quando o corpo não está bem, todas suas partes sofrem.

O poder e responsabilidade a nós confiados por D'us são impressionantes, e as conseqüências de nossas falhas são potencialmente desastrosas. O Criador, em Sua infinita sabedoria, entendeu que a maioria de nós inevitavelmente tropeçaria de vez em quando durante nossa passagem pela vida neste mundo, portanto Ele construiu em Seu plano da criação um plano de emergência: quando uma pessoa tropeça, outra pode ajudá-la; quando algum judeu danifica o universo por agir de forma irrefletida ou descuidada, outro judeu pode reparar seu dano.

Aqueles tsadikim, os justos que mergulham no estudo e prática da Torá de D'us, são a equipe da reparação. Ao atingirem níveis ainda mais elevados de entendimento e observância através de sua sensibilidade a cada nuance e entonação das palavras da Torá, retificam os enganos cometidos pelo restante de nós, e nos guiam em direção a um maior entendimento de nós mesmos, para que não erremos novamente.

Nas palavras da porção desta semana da Torá há uma sutil alusão a estas idéias. Quando alguém reconta suas viagens, normalmente diz que viajou a um determinado lugar e lá permaneceu. A Torá, entretanto, ao recontar as jornadas dos filhos de Israel, emprega um fraseado estranho, sem mencionar chegada alguma. Além disso, a lista começa declarando: "E Moshê escreveu as suas saídas, conforme as suas jornadas… e essas são suas jornadas conforme as suas saídas." (Bamidbar 33:2); além da aparente inconsistência e redundância, o próprio significado do versículo é evasivo.

As palavras deste versículo contêm o seguinte significado alegórico: em nossas jornadas pela vida, como as viagens dos filhos de Israel pelo deserto, às vezes "viajamos" para fora do caminho que D'us preparou para nós, e nos tornamos perdidos em um deserto espiritual. Nestes momentos, os justos dentre nós "saem" para retificar o que fizemos; pela sua persistência pessoal no estudo e prática da Torá, guiam-nos de volta ao caminho certo pelo exemplo que estabelecem. Dessa maneira, após "nos afastarmos" de um lugar, eles "acampam" no próximo, significando que eles restabelecem o balanço celestial do universo, e restauram a direção do povo judeu à sua correta orientação.

Quem são estes tsadikim?

Ninguém deveria ficar satisfeito com suas conquistas, dizem nossos sábios, até que tenha atingido o nível de nossos antepassados Avraham, Yitschac e Yaacov. Esta não é uma tarefa impossível? Assustadora, talvez, mas não impossível, pois os sábios com suas palavras pretendiam transmitir-nos que assim como os Patriarcas aperfeiçoaram-se ao perceber o completo potencial que D'us lhes concedeu, assim também seremos como eles se desenvolvermos ao máximo nosso potencial.

Dessa maneira, pedimos três vezes ao dia ao Criador em nossas preces para "colocar nosso quinhão junto deles – os justos – para sempre".

Ele nos guie e nos ajude a desenvolvermo-nos até o limite de nosso potencial, para que possamos ser contados juntos com os justos neste mundo e no vindouro.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Amor

Um pescador certa vez pescou um salmão. Quando viu seu extraordinário tamanho, exclamou: "Que peixe maravilhoso! Vou levá-lo ao Barão! Ele adora salmão fresco."

O pobre peixe consolou-se, pensando: "Ainda posso ter alguma esperança."

O pescador levou o peixe à propriedade do nobre, e o guarda na entrada perguntou: "O que tem aí?"

"Um salmão", respondeu o pescador, orgulhoso.

"Ótimo", disse o guarda. "O Barão adora salmão fresco."

O peixe deduziu que havia motivos para ter esperança. O pescador entrou no palácio, e embora o peixe mal pudesse respirar, ainda estava otimista. Afinal, o Barão adora salmão, pensou ele.

O peixe foi levado à cozinha, e todos os cozinheiros comentaram o quanto o Barão gostava de salmão. O peixe foi colocado sobre a mesa e quando o Barão entrou, ordenou: "Cortem fora a cauda, a cabeça, e abram o salmão."

Com seu último sopro de vida, o peixe gritou em desespero: "Por que você mente? Se realmente me ama, cuide de mim, deixe-me viver. Você não gosta de salmão, gosta de si mesmo!"

Reflexão

Uma mãe levou o filho pequeno ao fundo de um vale, e disse: "Grite as palavras: 'Eu te odeio'!" De repente, ele ouviu o som assustador de "EU TE ODEIO, Eu Te Odeio, Eu Te Odeio!" ecoando pelo vale.

Ela voltou-se para o filho e pediu: "Agora grite as palavras 'Eu Te Amo' o mais alto que puder."
Ele gritou com todas as forças: "EU TE AMO!" De repente, ouviu: "Eu TE AMO, Eu Te Amo, Eu Te Amo!" ecoando ao seu redor.

"Olhe dentro de um lago e veja um espelho de água refletindo sua imagem. Ame outra alma e seu amor se refletirá de volta para você."

Adaptado do Tanya, cap. 46

Auto-Refinamento

"Um judeu é como uma vela," explicou certa vez o Rebe a um chassid, "e sua tarefa é acender outros judeus."

O chassid perguntou: "Rebe, o senhor já acendeu minha vela?"

O Rebe respondeu: "Não, mas eu dei o fósforo a você. Agora deve riscá-lo e acender a si mesmo."

"Se você deseja consertar o mundo, comece consigo mesmo."

"Fique tão ocupado melhorando a si mesmo que não sobre tempo para criticar os outros."

"Aquele que rema o barco não tem tempo para balançá-lo."

"Antes de acordarmos, a neshamá do dia clama e implora: 'Por favor, faça o melhor para mim!
"Quando chegar o dia em que deverei prestar contas pela minha vida, não serei indagado: 'Por que você não foi Moshê?' Eu não estava equipado para ser Moshê. Mas temo a pergunta 'Por que você não foi Zusia?'
Reb Zusia de Anipoli ( Gratidão )

Um casal israelense elogiou emotivamente seu único filho. A audiência na sinagoga ouviu com simpatia enquanto o casal falava sobre o caráter do jovem, sua apreciação pela vida, e profunda devoção à Terra Santa. Pouco depois de seu 19º aniversário, ele foi brutalmente assassinado enquanto defendia seu amado país. Em memória ao filho, os pais fizeram uma generosa doação à sinagoga que freqüentavam.

Após a apresentação, uma mulher na audiência voltou-se ao marido e sussurrou: "Vamos doar a mesma quantia pelo nosso filho."

"O que está dizendo?" perguntou o marido. "Nosso filho não perdeu a vida!"

"Por isto mesmo!", respondeu a mãe. "Vamos fazer caridade porque ele foi poupado."

Ajuda

Um menino pequeno estava se esforçando para mover um pesado armário, mas o móvel não cedia. Ele empurrava e puxava com toda sua força, mas não conseguia movê-lo nenhum centímetro. O pai, que ali chegava, parou para observar os esforços vãos do filho. Finalmente perguntou:
"Filho, está usando toda a sua força?"

"Sim, estou!" gritou o garoto, exasperado.

"Não", disse calmamente o pai, "você não está. Não me pediu para ajudá-lo.

"Quase tão bom quanto saber algo é saber onde encontrá-lo."

"Para fazer uma torta de maçã do nada, primeiro você deve criar o universo."

Crença

Um educador secular na Rússia Comunista estava dando uma aula sobre Ciências e Ética aos seus jovens alunos. O tema em discussão era a idéia de "crença versus realidade". Ele começou sua palestra com a alegação que tudo aquilo que não pode ser visto não existe.

"Vocês sabem por que não podem ver um disco voador no céu?" perguntou o professor à audiência. "Porque não existe! E pelo mesmo motivo, todos acreditamos que não há nenhum D'us neste mundo. Não podemos vê-Lo, portanto Ele não existe."

Um estudante esperto, sentado ao fundo da sala, levantou a mão e saiu-se com essa: "Isso significa que o professor não tem cérebro? Quero dizer, nenhum de nós pode vê-lo?!"
"Para quem acredita não há perguntas: para o céptico não há respostas."

"Quanto menos se sabe, mais fácil é se convencer que se sabe tudo."

Opção

Um jovem descrente, desejando testar o conhecimento de um sábio, ergueu o punho fechado na frente do homem venerado.

"O que tenho em minha mão?" perguntou o jovem.

"Uma borboleta", foi a resposta.

"Está viva ou morta?" inquiriu o rapaz.

O ancião sabia que o jovem estava brincando com ele. Se respondesse morta, o jovem abriria a mão e deixaria a borboleta voar. Se respondesse viva, o rapaz fecharia a mão e esmagaria a criatura. Então respondeu:

"Está em suas mãos – fazer aquilo que deseja com ela."

"Se você pensar que pode, ou que não pode – estará certo."

"Quando todos os elementos estão fora do seu controle, lembre-se de que ainda pode controlar a sua reação.""O dinheiro é fogo. Pode destruir e aniquilar, ou iluminar e aquecer, dependendo da maneira pela qual é usado.”
Rabi Elimelech de Lizensk
Rabi Moshe ben Nachman, conhecido pelo acrônimo “Ramban” ou Nachmanidês, nasceu em Gerona, norte da Espanha, no ano 1195 (4955), numa família rabínica proeminente. Estudou com os grandes sábios da época e foi reconhecido como a mais alta autoridade em Lei Judaica. Essa carta foi enviada por ele de Eretz Israel ao seu filho, Nachman, na Espanha, para inspirá-lo a alcançar as qualidades de santidade e humildade. Instruiu seu filho a ler essa carta uma vez por semana, bem como a transmitir esets ensinamentos a seus filhos, que deveriam sabê-la de cor, para moldar seu caráter enquanto jovens. O Ramban assegurou a seu filho que no dia em que lesse a carta, seus desejos seriam realizados pelos Céus. Também prometeu que todo aquele que se habituasse a ler esse texto seria poupado de aflições e seus pedidos serão aceitos por D’us.


Acate, meu filho, a conduta moral de seu pai, e não abandone a orientação de sua mãe. Acostume-se a falar gentilmente com todos, sempre. Isto o protegerá da ira, um dos mais graves defeitos de personalidade, que pode levar a pessoa a cometer erros.

Nossos sábios ensinaram: “Quem explodir em raiva, toda espécie de aflição o dominará, assim como está escrito: ‘Retire a raiva de seu coração e remova o mal de sua carne’.”

O mal aqui mencionado refere-se às aflições espirituais, assim como está escrito: “O perverso está destinado ao dia da aflição.”

Logo que você tenha se distanciado da raiva, a humildade entrará em seu coração. Esta é a qualidade mais fina de todas as características humanas admiráveis, assim como dizem as Escrituras: “Como consequência da humildade vem o temor a D’us. “ Por meio da humildade, o temor a D’us se intensificará em seu coração. Só assim estará ciente de onde você veio e para onde está destinado a ir. Compreenderá que sua vida é tão frágil quanto a de um molusco – principalmente na morte. Esse tipo de humildade o lembrará diante de Quem será chamado para julgamento– diante do Rei da Glória, sobre Quem está escrito:” Eis que as Alturas dos céus não podem conter-Te, tampouco os corações dos homens. E também está escrito: “Por acaso Eu não preencho os Céus e a Terra? – diz o Eterno.”

Depois de considerar bem essas idéias, se inspirará em reverência perante o Criador e agirá com cautela para não errar. Uma vez que você tenha adquirido essas qualidades, com certeza estará feliz com o seu quinhão.

Quando a genuina humildade permear todo seu comportamento – i.e., quando se portar com recato diante das pessoas, com temor diante de D’us e for cauteloso em relação às transgressões – só então o espírito da Presença Divina pairará sobre você, como também o esplendor de Sua Glória; e você viverá a vida do Mundo Vindouro.

E agora, meu filho, entenda claramente que aquele que é acometido de orgulho em seu coração em relação a outros homens se rebela contra a soberania Divina, porque se glorifica com a vestimenta de D’us, pois está escrito: “D’us reina, Ele Se adorna com o manto da grandeza.”

De que haveria o homem de se orgulhar? Se acumulou riquezas deve reconhecer que é D’us Quem torna a pessoa pobre ou rica. Se é honorável – por acaso a honra não pertence a D’us, como está escrito: “Riqueza e honra vem de Ti”? E como pode se glorificar com a honra de seu Criador? Se se orgulha com sua sabedoria, deveria entender que D’us pode remover a fluência da fala do mais competente e abolir a sabedoria do mais sábio.

Assim sendo, todos os homens se igualam diante do Criador. Em Sua ira Ele derruba os orgulhosos; por Sua vontade Ele engrandece os oprimidos. Portanto, seja humilde e o Eterno o exaltará.

Assim sendo, devo explicar-lhe como poderá se acostumar à qualidade da humildade, e seguir sempre esse caminho: suas palavras devem ser pronunciadas calmamente; sua cabeça deve estar inclinada; seus olhos devem voltar-se em direção à terra, e seu coração em direção aos céus; ao conversar com alguém, não o encare; considere todos os homens superiores a você. Se alguém é mais sábio ou mais rico, demonstre respeito. Se é pobre e você é mais rico ou mais sábio, leve em consideração que ele pode ser mais justo que você, pois as falhas dele podem ter ocorrido sem querer, enquanto sua transgressão é deliberada.

Em toda fala, ato ou pensamento seus – a todo momento – mentalize que você se encontra diante da Presença do Santo, bendito seja, e que Sua Presença paira sobre você. Como a Glória do Eterno preenche o Universo, fale sempre com reverência e temor, como um servo na presença de seu mestre.

Aja com recato diante de seu semelhante; se alguém chamar por você não responda em voz alta, mas sim gentilmente – em tom baixo, como quem está diante de seu mentor.

Tome a precaução de sempre estudar Torá atentamente, só assim será capaz de cumprir os mandamentos. Quando finalizar seus estudos, pondere sobre o que aprendeu. Observe se pode colocar tudo em prática. Revise suas ações durante a manhã e à noite; e viverá todos seus dias em arrependimento e correção.

Remova assuntos mundanos de sua mente no momento da prece. Prepare seu coração cuidadosamente perante o Altíssimo. Purifique seus pensamentos, e pondere suas palavras antes de pronunciá-las.

Comporte-se desta forma em todos os momentos enquanto viver, e assim não cometerá nenhuma transgressão; sua fala, atos e pensamentos serão íntegros. Sua prece será pura e clara, sincera e agradável perante o Onipresente, abençoado seja, como está escrito: “Quando tu preparas seus corações [em concentração], Tu estás atento [às suas preces].”

Leia esta carta ao menos uma vez por semana para cumpri-la à risca e seguir sempre nos caminhos do Eterno, abençoado seja, para que tenha sucesso em todos os afazeres e mereça o Mundo Vindouro que está reservado para os justos. Todo o dia em que você ler esta carta, os Céus responderão aos desejos de seu coração, amên sela.( Carta do Ramban ao seu filho )

Parasha Matot / Parasha resumida


Porção Semanal: Matot
Bereshit 47:28 - 49:26


Matot (Bamidbar 30:2 - 32:42) inicia-se com uma discussão das leis sobre nedarim (promessas) e shevuot (juramentos). A Torá então descreve a batalha do povo judeu e a vitória sobre Midyan, seguida por uma narrativa detalhada da distribuição dos despojos de guerra.

Antecipando a próxima chegada à Terra de Israel, as tribos de Reuven e Gad adiantaram-se para requerer que sua herança fosse a leste do Rio Jordão, ao invés de exatamente na Terra Santa, pois a margem leste seria mais apropriada para seus abundantes rebanhos.

Após alguma discussão, Moshê concorda, mas apenas sob a condição de que ajudassem o restante da nação a conquistar toda a Terra de Israel, antes de retornarem para estabelecer-se no seu legado. ( mensagem da Parashá )
Assassino impiedoso
por Ranon Cortell

Duas porções atrás, ao final da Parashá Balac, uma praga terrível e destruidora assolou os filhos de Israel, devido aos pecados instigados por nossos inimigos, os Moavitas e Medianitas.

Na mesma porção, toda nossa existência foi também perigosamente ameaçada por um hábil e poderoso feiticeiro não-judeu, Bilam, que foi contratado pelas forças conjuntas de Median e Moav para amaldiçoar o povo judeu, esperando torná-lo uma vítima indefesa para seus selvagens inimigos. Mesmo assim, na porção desta semana, quando D'us decide que chegou a hora de vingar a honra de Israel e destruir seus inimigos, Ele ordena a Moshê que destrua apenas os medianitas, permitindo que os moavitas escapem ilesos.

Por que os medianitas foram escolhidos para a destruição, enquanto que os moavitas, que lideraram a extrema intrusão, foram poupados?

Para responder esta questão, Rashi explica que os moavitas agiram puramente por razões de auto-defesa contra um inimigo avultado e potente em suas fronteiras, enquanto que os medianitas haviam se engajado em uma disputa que não lhes dizia respeito, pois não foram ameaçados pelos judeus por viverem longe da rota para a Terra de Israel. Foi pela ação de ódio infundado dos medianitas que D'us quis vingança.

Rashi explica que tal ódio e envolvimento nas disputas de outro povo é especialmente perigosa espiritualmente porque mesmo quando as partes chegam a um acordo, o ódio daquele que está de fora da disputa conservará seu vigor pois, afinal, não era baseado em coisa alguma.

Esta mensagem é especialmente fundamental para nossa geração, para quem ódio infundado é um de nossos maiores erros e desafios. O Talmud (Tratado Yoma 9b) exorta-nos que no caso do insuportável pecado de ódio fútil e infundado para com um irmão judeu, a esposa e o filho de quem odeia morrerá, D'us não o permita. Rashi explica que esta punição é midá k'neged midá, pois assim como a pessoa falhou em amar o próximo, aqueles que ama serão tirados de seu convívio. Portanto, devemos enxergar este pecado de ódio injustificado como um assassino impiedoso, e combatê-lo com fervor.

Rabi Yechiel Weinberg relata uma conversa que teve com o Alter de Slabodka. Certo dia, o Alter estava falando sobre as "Três Semanas", o período de luto pela destruição dos Templos. Resumindo, ele explicou que a razão para a instituição deste período de luto foi despertar-nos de nossa rotina de pecado e incitar-nos ao arrependimento, para que possamos nos tornar merecedores da reconstrução do Templo. A destruição do Primeiro Templo foi devida ao envolvimento do povo judeu em assassinato, idolatria e relacionamentos imorais, e mesmo assim o exílio durou apenas setenta anos. O Segundo Templo, por outro lado, apesar do envolvimento dos judeus na Torá e boas ações, foi arrasado principalmente por causa do pecado ameaçador do ódio infundado, e infelizmente ainda não merecemos vê-lo reconstruído.

"Fique atento," ordena o Alter, "esta influência sinistra ainda espreita entre nós, e infelizmente não temos o nível de boas ações e Torá que envolveu nossos antepassados." " Honestamente,"
pergunta ele, "quantos de nós, ao ver um colega elevado a uma posição de honra que acreditamos ser nossa por merecimento, não fervemos face a tão horrível insulto, e imaginamos porque nossos amigos não correram a defender nossa honra? E mesmo assim, quantos de nós simplesmente passam pelos impulsos e leis deste período sem agir sobre sua mensagem essencial – erradicar o ódio injustificado de nosso coração?"

Devemos instilar esta mensagem dentro de nós, arrepender-nos de nossos pecados cometidos, e aprendermos a praticar o amor injustificado.

Quando conseguirmos isso, e com a ajuda de D'us, o Templo será reconstruído.

Que seja brevemente em nossos dias.
Anulação de promessas

A última parashá terminou com as leis das sacrifícios de Yom Tov, e esta começa com as leis sobre promessas. A justaposição ensina que quem promete oferecer um sacrifício está obrigado a cumprir sua promessa no Yom Tov vindouro, quando visitar o Bet Hamicdash.

Às vezes achamos que as palavras que dizemos não são importantes. Afinal, não podemos vê-las ou tocá-las, por isso parecem que não deixam marcas.

A Torá nos ensina o contrário. Palavras são importantes, e um judeu deve sempre ser cuidadoso com as palavras que usa. Deveria ser especialmente cauteloso sobre fazer promessas, porque será responsável por cumpri-la. A pessoa jamais deve fazer um juramento descuidadamente. Aquele que os faz sem a devida atenção e mais tarde falha em cumpri-los, é comparado ao indivíduo que pega uma espada para golpear a si mesmo; está propenso a ferir-se.

É uma boa idéia, quando dizemos que cumpriremos uma mitsvá, adicionar as palavras: "bli neder – não é uma promessa." Se alguém declara: "Amanhã pretendo visitar meu amigo doente," ou, "Darei R$ 100,00 para tsedacá," deveria completar: "bli neder" para evitar que torne-se uma promessa.

Se alguém faz um juramento ou promessa e então percepe que será muito difícil cumpri-los, pode dirigir-se a um talmid chacham, perito em halachá (Lei Judaica), ou a três leigos. Eles poderão absolvê-lo, com base em sua declaração que quando fez a promessa, não estava plenamente consciente de todas suas implicações. Se tivesse percebido todas as dificuldades de mantê-la, não teria agido desta forma. Por isso, a promessa foi um erro de sua parte. Explica os detalhes de sua promessa ao juiz (ou juízes) que então determina se as circunstâncias permitem que seja absolvido. Se o juiz encontra um pormenor que o incomode do qual a pessoa não tenha se apercebido quando fez a promessa, pode absolvê-la.

"Teria feito esta promessa se soubesse que mais tarde se arrependeria?" pergunta-lhe o juiz.

"Não," responde a pessoa que fez a promessa.

"Mutar lecha - você está livre dela", declara o juiz.

Isto se chama em hebraico "Hatarat Nedarim", anulação das promessas.

A Guemará nos dá o seguinte exemplo sobre como anular uma promessa:

Uma história:

Rav Manna aborrece seu pai

Rav Manna certa vez fez uma promessa: "Nunca beberei o vinho de meu pai."
Quando o pai soube da promessa do filho, ficou aborrecido. Por sua vez, Rav Manna sentiu-se mal por entristecer o pai e arrependeu-se da promessa.

O pai perguntou-lhe: "Se você tivesse pensado que eu ficaria aborrecido por causa de sua promessa, ainda assim a faria?"

"Não.",replicou Rav Manna.

"Neste caso, está livre dela," declarou o pai. Este era um talmid chacham. Por isso, podia liberar o filho da obrigação de cumprir a promessa, porque achou uma boa razão para cancelá-la.

Validade

Antes da idade de bar ou bat-mitsvá, não é preciso ir ao Bet Din se alguém fez uma promessa descuidada da qual se arrepende. Estas promessas não têm validade.
Mesmo assim, é uma boa idéia treinar a criança a não fazer promessas.

Quando podem ser feitas

Há algumas situações em que nossos sábios recomendam que se faça promessas. Por exemplo, se uma pessoa encontra-s em extremo perigo ou desgosto, D’us não o permita, pode prometer dar tsedacá ou cumprir alguma mitsvá na esperança de que D’us a salve.

Exemplos de pessoas renomadas que fizeram promessas e seus motivos:

Chana – Na época posterior aos juízes, havia uma mulher justa chamada Chana. Não tinha filhos. Sempre que seu marido viajava ao Mishcan em Yerushalayim, ela o acompanhava. Lá, rezava a D’us, implorando-Lhe que lhe desse filhos.

Quando Chana completou dez anos que estava casada, fez uma promessa a D’us: "Se Tu me deres um filho, não o guardarei para mim mesma, mas ele Te servirá por toda a vida."

Chana teve um menino, a quem chamou de Shemuel. Ela manteve a promessa. Levou Shemuel ao Cohen Gadol no Mishcan, quando ele estava com dois anos de idade e havia acabado de amamentá-lo.

"Eis aqui o filho pelo qual rezei a D’us," disse. "Deixe-o ficar aqui e servi-lo."
Desde então, Chana via seu filho apenas uma vez ao ano quando ia ao Mishcan em Yerushalayim. O menino cresceu e tornou-se o famoso profeta Shemuel, líder de Benê Yisrael.

O Rei David – David não tinha desejo maior que o de construir o Bet Hamicdash para D’us. Fez uma promessa: "Não dormirei mais que o absolutamente necessário até que encontre o lugar apropriado para construir a Casa de D’us."

David cumpriu sua promessa. Quando visitou o profeta Shemuel, estudou com ele os versículos que falam da localização do Bet Hamicdash. Após passar muito tempo estudando, o Rei David concluiu que D’us queria que o Bet Hamicdash fosse construído numa colina na cidade de Jerusalém.

David Hamelech manteve sua promessa. Tinha esperança de que lhe seria permitido construir o Bet Hamicdash. Mas primeiro tinha que livrar a nação judaica dos inimigos ao seu redor. Passou muitos anos envolvido nestas guerras, até que finalmente a paz chegou para os judeus.

"Agora," pensou David, "está na hora de construir o Bet Hamicdash! Como posso viver em um lindo palácio, enquanto a Shechiná de D’us mora numa tenda?"
A arca de D’us ainda estava no Mishcan, uma tenda, assim como havia estado quando Benê Yisrael caminhava pelo deserto.

Naquela noite, D’us enviou um profeta para contar ao Rei David: "D’us não quer que você construa o Bet Hamicdash. Seu filho Salomão o construirá. Você não é a pessoa certa para construir o Bet Hamicdash, porque derramou tanto sangue durante as guerras que travou com seus inimigos."

Isto deixou David preocupado.

"D’us," pediu ele, "sou culpado por ter lutado em tantas guerras?"

"Não tema, David," D’us assegurou-lhe. "Você derramou sangue apenas em nome dos céus. A Meus olhos, suas batalhas valem tanto como se você tivesse feito oferendas no altar."

"Então, por que não tenho permissão para construir o Bet Hamicdash?" perguntou David.

D’us replicou: "Um Bet Hamicdash construído por você seria tão sagrado que Eu jamais poderia destruí-lo."

"Ótimo," disse David. "Deixe que permaneça para sempre."

D’us explicou: "Sei que no futuro os judeus cometerão pecados. Ou Eu os destruirei, ou destruirei o Bet Hamicdash, deixando-os sobreviver. Se você construir o Bet Hamicdash, jamais poderei destruí-lo. Terei que aniquilar os judeus em vez disso."

O Rei David então entendeu que não poderia realizar seu sonho de construir uma Morada para D’us. Assim mesmo, devotou o resto da vida a conseguir ouro, prata e os outros materiais necessários para a construção do Bet Hamicdash. Seus esforços foram tão grandes que D’us considerou como se ele tivesse de fato o construído!

Outra maneira de cancelar uma promessa

Aprendemos há pouco que somente um talmid chacham ou Bet Din podem cancelar a promessa de alguém se encontrarem para isso uma razão válida.

A Torá nos ensina uma outra maneira de cancelar uma promessa: Se um pai escutar a filha de doze anos, ou doze anos e meio, fazer uma promessa que ele não aprove, pode dizer: "Sua promessa é inválida." Isto cancela a promessa.

Um pai pode anular a promessa da filha apenas até o pôr-do-sol do dia em que ele a ouve. Se esperar além disso, será tarde demais.

Um marido também pode cancelar algumas das promessas de sua esposa. Ele deve também fazê-lo no mesmo dia em que a escutou. Se esperar até depois do pôr-do-sol, ela é obrigada cumprir a promessa. ( shabat Shalom )

Uma perspectiva filosófica

A cobertura para a cabeça é parte da vestimenta masculina. Seria útil primeiro considerar a origem e significado da veste humana em geral, antes de discutir a questão de cobrir a cabeça.

Segundo a opinião de muitos cientistas, a vestimenta humana originou-se por dois motivos: a) como uma proteção contra as condições climáticas (calor, frio, chuva, etc.), e subseqüentemente também para b) propósitos decorativos.

Numa investigação mais profunda, no entanto, poderia parecer que esta opinião "científica" é bastante questionável. Tendo em vista que o berço da raça humana foi um lugar onde as condições climáticas eram ideais, e mesmo assim as roupas eram usadas naqueles dias, o motivo do clima não parece aceitável.

Segundo a Torá, as roupas têm uma origem bem diferente. Somos informados pela Torá (Bereshit, cap. 3) que quando os primeiros seres humanos, Adam e Eva, foram criados, eles não precisaram de roupas e não "estavam envergonhados". Porém depois de seu pecado com a Árvore do Conhecimento, "eles souberam que estavam nus", e prepararam roupas para cobrir o corpo.

Esta mudança radical de comportamento nos primeiros seres humanos é explicada por Maimônides (Guia dos Perplexos, parte I, cap. 2). Sua explicação é citada na literatura Chabad, que lança mais luz sobre o assunto. Em resumo, é isso:

O homem foi criado todo bom, sem qualquer mal dentro dele. Não tinha más inclinações nem conhecia a tentação pelos prazeres físicos. Conseqüentemente, todos os órgãos e partes do corpo eram iguais para ele, cada qual desempenhando sua parte no cumprimento da missão Divina do homem nesta terra. Em sua pureza de mente, o sentimento de vergonha era alheio a ele. Assim como não haveria motivo para ter vergonha de ensinar a Torá para alguém, um ato que é comparado a gerar espiritualmente um filho, também não haveria motivo para ter vergonha de gerar um filho fisicamente, pois aqui, também o homem estava cumprindo a ordem Divina de "Dêem frutos e se multipliquem". Nos dois casos, a indulgência no prazer físico foi deixada de lado, havendo apenas uma consideração: o cumprimento da vontade Divina.

Depois do pecado com a Árvore do Conhecimento, nasceu no homem a consciência do prazer físico, do qual ele antes não era cônscio, quando seu ser espiritual predominava totalmente. O bem não era mais puramente bom em sua mente contaminada. Ele viu que determinadas partes do corpo estavam mais diretamente associadas com a sensação de prazer físico. A exposição daquelas partes do corpo agora provocava nele uma sensação de vergonha por dois motivos: primeiro, porque estas partes do corpo eram um lembrete da humilhante queda do homem ao poder da luxúria, e segundo, porque elas eram uma fonte de tentação. Por estes motivos, o homem sentiu vergonha de sua nudez e desejou cobrir o corpo.

Sob este ponto de vista, poderia parecer que esta sensação de vergonha não se aplica à cabeça, a base do intelecto, o bem mais elevado do ser humano, que o distingue das espécies inferiores de animais. Pois não é o intelecto o zênite de toda a criação?

De fato, o homem que pensa que não há nada mais elevado no universo que o seu intelecto consideraria uma contradição cobrir a cabeça, a base de seu intelecto, seu orgulho e bem mais valioso.

No entanto, o homem que acredita em D’us tem uma concepção diferente do status humano. Sabemos que apesar da capacidade do homem, ele é um ser muito humilde; percebemos que o intelecto, infelizmente, longe de nos afastar da tentação, com freqüência é influenciado por ela, e age como um acessório. Mesmo aquele que não pertence a esta categoria, mesmo assim sente vergonha pela insignificância do intelecto perante o Divino.

Portanto, não apenas as partes inferiores do corpo são testemunhas da queda do homem, mas até a cabeça, que abriga o intelecto, e talvez mais ainda. Eu digo "mais ainda" porque a falha do intelecto é a maior falha do homem. Pois embora uma criança imatura talvez não seja plenamente responsável por suas ações, a pessoa adulta não tem desculpa. Assim é no que tange às próprias faculdades do homem: a falha do mais elevado é a maior falha.

Quanto mais alguém está consciente de sua responsabilidade intelectual, maior deve ser a sensação de vergonha quando não consegue cumpri-la. O intelecto e o conhecimento, longe de darem ao judeu uma sensação de orgulho, lhe dão um senso de humildade, pois foram dados a ele por D’us com propósitos elevados e sagrados. Se ele não corresponde plenamente a estes propósitos, o homem médio deve ficar repleto de vergonha. Mesmo o homem justo não pode se livrar de uma sensação de vergonha, pois, sendo mais consciente da presença de D’us, cada passo intelectual à frente o aproxima mais da percepção de quão insignificante é seu intelecto na presença do Infinito. Pois "o ponto culminante do conhecimento (no conhecimento de D’us) é perceber aquilo que não sabemos."

Assim, nossa atitude de cobrir a cabeça, sempre, é uma demonstração de nossa percepção de que existe algo que está infinitamente acima de nosso intelecto, e simboliza nossa humildade e senso de vergonha na presença de D’us (Yirat Shamaim).

Algumas leis sobre cobrir a cabeça

1 – Não se deve caminhar com a cabeça nua (a distância de) quatro cúbitos.

2 – Atualmente existe uma proibição adicional, não apenas de caminhar uma curta distância, mas até mesmo sentar dentro de casa sem cobrir a cabeça.

3 – A kipá deve ser usada até quando se estiver dormindo à noite.

4 – Crianças pequenas devem ser criadas cobrindo a cabeça.....Por J. Immanuel Schochet
Hoje em dia, e sempre, a mezuzá, uma mitsvá que tem acompanhado o povo judeu ao longo dos anos, mais do que nunca constitui o sinal de que nesta residência ou estabelecimento se encontra um judeu, e em sua porta sua maior proteção: D'us.

"Mezuzá" é a palavra hebraica para designar umbral. Consiste em um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém duas passagens bíblicas, manuscritas, "Shemá" e "Vehaiá". A mezuzá que deve ser afixada no umbral direito da porta de cada dependência de um lar ou estabelecimento judaico, obedece ao seguinte mandamento da Torá: "Escreve-las-ás nos umbrais de tua casa, e em teus portões" (Deuteronômio VI:9, XI:20)

A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.
É no conteúdo, guardado em seu interior, que reside o verdadeiro valor da mezuzá, e não em seu invólucro. A mezuzá não deve ser julgada pela sua aparência. Para ser casher deve ser escrita à mão, sobre pergaminho, e por um sofer (escriba) temente e observador dos mandamentos divinos, habilitado para esta função, o que é fator essencial para tornar o pergaminho sagrado.

No momento em que é afixada no batente da porta, ela atrai a santidade de D'us que pairará sobre a casa ou estabelecimento.

No verso do pergaminho estão escritas as letras hebraicas Shin, Dalet e Yud, que forma o acróstico das palavras hebraicas "Shomer Daltot Israel" – "Guardião das casas de Israel".

A mezuzá tem uma função semelhante à do capacete. Ao usá-lo, um possível acidente é evitado ou amenizado. Do mesmo modo, quando é casher, a mezuzá tem o poder de proteger os moradores da casa e evitar infortúnios.

Conteúdo

A Mezuzá contém duas passagens bíblicas que mencionam o mandamento Divino de afixá-la nos umbrais das portas: "Shemá" e "Vehaiá" (Devarim 6,4-9 e 11,12-21).

O "Shemá" proclama a unicidade do D'us único e nosso eterno e sagrado dever de servi-Lo, e somente a Ele.

O "Vehaiá" expressa a garantia Divina de que nossa observância dos preceitos da Torá será recompensada e nos previne sobre as consequências se os desobedecermos.

A mitsvá da mezuzá demonstra claramente que não somente a sinagoga ou qualquer outro local de estudo são sagrados, como também nosso lar.

Significado

Embora atualmente existam centenas de sofisticados equipamentos de vigilância (câmeras, aparatos eletrônicos, entre alarmes e até cercas elétricas) para o povo judeu a mezuzá afixada na porta sempre constituirá sua maior proteção.

Ao entrar ou ao sair seremos sempre lembrados de quem é o verdadeiro "Guardião das casas de Israel."

Cuidados na aquisição

É importante lembrar que o componente principal da mezuzá é o pergaminho, e não o estojo. Deve-se tomar cuidado na hora da compra da mezuzá, pois ela é um objeto sagrado. Deve ser escrita por um escriba autorizado, com tinta e pena apropriadas sobre um pergaminho de um animal casher.

Mesmo que na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida por várias razões. Uma única trinca numa pequena letra pode tornar a mezuzá não-casher, imprópria para uso; por isso ela deve ser periodicamente verificada por um escriba competente.

Leis referentes à colocação da mezuzá

O rolo de pergaminho é enrolado no sentido do comprimento e envolvido por um plástico ou papel e colocado dentro de um estojo e afixado ao batente da porta. É permitido talhar uma cavidade (com menos de 7,5 cm de profundidade) no batente para lá colocar a mezuzá.
A mezuzá deve ser colocada em cada entrada da casa (mesmo que apenas uma entrada seja usada normalmente), escritório, loja, fábrica, etc.
Pátios e propriedades fechadas por cercas ou muros também devem possuir mezuzá, que deve ser colocada na entrada, uma vez que está escrito que as mezuzot precisam ser afixadas "nos teus portões".
Coloca-se uma mezuzá na entrada de cada cômodo no interior da casa, não somente na porta principal, mas em todas as portas que conduzem a aposentos com área mínima de 1.80 m2 (inclusive despensa e quarto de empregados).
Não se coloca mezuzá nas portas de banheiros, toaletes ou casas de banho.
Ela é afixada no terço superior do batente direito, na parte mais externa do umbral e em posição oblíqua, com a parte superior apontada para o interior do aposento, para os ashkenazim, e em posição quase reta para os sefaradim.
Quando a porta se abre para dentro do cômodo a mezuzá é afixada do lado direito de quem entra; quando a porta se abre para fora, ela é afixada do lado direito de quem sai.
Não se deve afixar a mezuzá atrás da porta dentro de casa.
Se mais de uma mezuzá fôr afixada ao mesmo tempo (em várias portas), uma só bênção é suficiente (na primeira a ser afixada).
Onde não houver porta entre dois ambientes, o lado direito será considerado da entrada para o aposento mais importante.
Numa casa própria a benção da mezuzá é recitada na hora da colocação, enquanto que numa alugada, é recitada somente sobre a mezuzá afixada após trinta dias do início da locação. (exceto na Terra de Israel, onde devem ser afixadas imediatamente).
O costume Chabad é afixar as mezuzot logo, sem recitar a bênção; e no trigésimo dia trocar a mezuzá da porta principal por outra de melhor qualidade e então recitar a brachá.
A mezuzá só precisa ser colocada em casas ou cômodos construídos para uso permanente (uma sucá, por exemplo, não precisa de mezuzá, pois é uma moradia temporária).
Toda abertura construída com dois batentes e uma verga precisa de mezuzá (se não possuir uma porta para fechá-la, coloca-se sem recitar a brachá, bênção).
A mezuzá pode ser afixada por qualquer membro da família.
Quando nos mudamos de uma casa e sabemos que um judeu se mudará para lá, devemos deixá-las.
Desde tempos imemoriais a mezuzá, vem marcando o lar judeu e identificando-o como uma residência judia. O judeu deve lembrar ao entrar e ao sair, da Presença Divina e de Sua Unicidade, bem como de seu dever de acatar todas as leis e todos os preceitos contidos na Torá.
Maimônides explica que são ignorantes os que consideram a mezuzá um amuleto, algo que traz sorte para a casa. "Aqueles tolos não apenas deixam de cumprir a mitsvá, mas tratam uma grande mitsvá, que diz respeito à Unicidade de D'us e nos lembra a amá-lo e venerá-lo, como se fosse um amuleto destinado a beneficiá-los pessoalmente...".
É costume colocar a mão direita sobre a mezuzá e beijá-la, ao entrar e sair de casa.
As mezuzot devem ser examinadas ao menos duas vezes a cada sete anos, embora seja aconselhável que sejam revisadas uma vez por ano por um escriba devidamente qualificado. Mesmo se na hora de sua compra a mezuzá esteja casher, ela pode, com o tempo, tornar-se inválida.
Em caso de dúvida um rabino deve ser consultado.
Bênção

Antes de afixar a mezuzá, a seguinte bênção deve ser recitada:

Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu, Me-lech haolám, asher kideshánu bemitsvotáv vetsivánu licbôa mezuzá.

"Bendito és Tu, ó Eterno nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou afixar a mezuzá."

Duas Histórias

O poder da mezuzá

O Talmud nos conta que Ônkelos, filho de Kalônimos (eminente personagem do antigo Império Romano), ao converter-se ao judaísmo, despertou a ira de César.

César enviou um grupo de soldados para induzi-lo a mudar de idéia, mas ocorreu justamente o contrário. Ônkelos conseguiu persuadir os soldados a se converterem, como ele próprio havia feito.

César enviou outros soldados prevenindo-os para não conversarem com Ônkelos. Os soldados agarraram-no para levá-lo perante César, e ao deixar a casa, Ônkelos pousou sua mão na mezuzá e sorriu.

Ao perguntarem-lhe porque fazia isto, respondeu: "Habitualmente, quando um rei de carne e osso está dentro de seu palácio, seus servos protegem-no, e ficam do lado de fora. :Nosso Rei do Universo permite que seus servos sentem do lado de dentro, enquanto Ele os protege".

Também aqueles soldados converteram-se.

Rabi Yehudá Hanassi, o "Príncipe"
Relato do Talmud

O Talmud relata uma história sobre o grande Rabi Yehudá Hanassi (o "Príncipe"): Artaban, o rei de Partin enviou-lhe como presente uma pérola maravilhosa. Rabi Yehudá retribuiu com outro presente – uma mezuzá. Ultrajado pelo que lhe parecia zombaria, o rei repreendeu severamente a Rabi Yehudá:"–Vós me insultastes. Eu vos enviei um presente de valor incalculável e vós retribuistes com uma ninharia sem valor!"

Rabi Yehudá apressou-se em explicar: "O presente que me enviastes é tão valioso que deverá ser cuidadosamente vigiado, ao passo que o que eu vos dei vos guardará mesmo quando estiveres dormindo".

Honrar os Pais

A Base destes Mandamentos
A idéia subjacente aos preceitos de prestar honra e reverência aos pais, geralmente é considerada como racional e auto-evidente. É razoável esperar que um filho reconheça aqueles que o trouxeram ao mundo, cuidaram dele enquanto era indefeso e dependente, se preocuparam com suas necessidades e desejos proporcionando alimento, vestuário, abrigo e educação, ajudando-o a se tornar auto-suficiente.

Portanto, espera-se que um filho reconheça os freqüentes sacrifícios dos pais no decorrer da sua criação, um período que com freqüência significa trabalho, angústia mental e gastos.

Sentimentos sinceros de amor e gratidão, um senso de dever e piedade e expressões de respeito podem e devem ser esperados como inclinações naturais e inatas. O filho está apenas pagando uma dívida, por assim dizer [Yerushalmi, ibid. Cf. Sefer Hachinuch, sec. 33].

Assim, mesmo que estas normas de comportamento não tivessem sido prescritas por pronunciamentos Divinos, é de se presumir que a razão humana e a ética natural inventariam um código semelhante para o relacionamento de um filho para com seus pais.

Respeito pelos Pais – Um Princípio Religioso
No entanto, o fato de a Torá declarar o correto relacionamento entre pais e filhos como um preceito Dvino, confere-lhe um novo caráter. [Note a expressão em Devarim 5:16: “Honra teu pai e tua mãe como o Eterno teu D’us te ordenou.” (Hamek Davar, Aruch Hashulchan, Yoreh Deah, 240:2f).O fato de que “honrar” e “respeitar” os pais sejam mitsvot da Torá imprime sobre estes preceitos um selo de absolutismo e os torna princípios independentes.

Não importa se algum raciocínio individual ou coletivo concorda com esta noção ou se uma sociedade específica pode ter um padrão de ética diferente e outro código de moralidade. No contexto da tradição da Torá é inconcebível que haja uma “atitude calculada e bem fundamentada” como aquela da antiga Esparta, de eliminar os pais que se tornaram “inúteis” ou uma responsabilidade, devido à idade avançada ou enfermidade.

O caráter absoluto das mitsvot de honrar e respeitar os pais torna os deveres filiais independentes de condições externas. Os deveres e obrigações filiais permanecem intactos mesmo onde não há débito a ser pago, como por exemplo, onde os pais falharam ou se recusaram a cumprir suas responsabilidades para com seus filhos.

Na verdade, os preceitos absolutos da Torá continuam válidos até em relação a pais que abandonaram a Torá [Hilchot Mamrim 5:12ff, e Shulchan Aruch 240:18.]

Assim, os deveres filiais não devem ser considerados como mera conseqüência e desenvolvimento proporcional do exercício dos deveres paternos. Há um significado mais profundo anexados a estes preceitos da Torá.

O Aspecto Religioso de Honrar os Pais
Uma alusão implícita ao significado mais profundo da ordem “honra teu pai e tua mãe” é detectada no próprio contexto no qual esta ordem aparece. É um dos Dez Mandamentos.

Além disso, dentro do Decálogo em si é parte da primeira das duas Tábuas. Isso é bastante significativo. Pois embora todo o Decálogo seja de origem Divina (como é a Torá inteira), os preceitos na primeira tábua tratam de assuntos religiosos típicos do relacionamento entre o homem e D’us.

As mitsvot na segunda Tábua lidam com os aspectos que dizem respeito aos relacionamentos entre seres humanos. Poderíamos esperar que o quinto mandamento fosse agrupado junto com os últimos cinco pois ele também lida com um tema de preocupação social. Na verdade, porém, é agrupado aos primeiros quatro que são de natureza puramente religiosa. Os comentaristas clássicos já notaram isto e oferecem várias interpretações [cf. Hadar Zekenim; Ramban; Abarbanel e outros]. Alguns sugerem que isso chama atenção ao papel dos pais como aqueles que proporcionam aos filhos a orientação adequada no que diz respeito às obrigações religiosas. Porém há ainda uma alusão mais profunda quie é independente do envolvimento paterno pós-natal e se concentra somente na capacidade criativa dos pais.

O relacionamento entre pai e filho é análogo, e intrincadamente ligado, ao relacionamento entre D’us e o homem. Isso ocorre porque ao trazer um filho a este mundo, os pais estão numa parceria com D’us: a substância material é derivada dos pais, porém D’us concede espírito e alma, a forma vital do homem [Veja Kidushin 30b; Nidah 31a.].

O quinto dos Dez Mandamentos sugere implicitamente a consciência da própria origem, o reconhecimento da razão de ser, e o grato reconhecimento dos próprios recursos. A conscientização sobre o papel dos pais como agentes criadores leva à contemplação e reconhecimento do supremo Criador e Provedor de tudo: D’us. O reconhecimento e a gratidão em seguida se estenderão da tangibilidade imediata e visual àquela que somente se reconhece após alguma meditação.

Por este motivo D’us credita a honra aos pais como se fossem mostradas a Ele próprio; e de modo contrário, a negligência em honrar os pais é considerada como um insulto a D’us [Mechilta sobre Shemot 20:12; Sifra sobre Vayicrá 19:3].

É por isto que esse mandamento aparece na metade do Decálogo: está mediando entre os primeiros quatro e os últimos cinco preceitos porque está relacionado a ambos os grupos. É tanto um princípio religioso quanto social.

O comportamento adequado para com os pais é visto como um degrau lógico na escada que leva ao comportamento adequado para com nosso Pai no Céu. E a concretização do supremo propósito do homem. Aquele que considera seus pais como deveria é considerado como se cumprisse também suas outras obrigações religiosas [Veja Zohar III:81 b].

Analogia Entre os Relacionamentos com D’us e com os Pais
O relacionamento análogo entre honrar a D’us e honrar aos pais é expresso mais explicitamente nos escritos rabínicos. Os Sábios notam que estes princípios (de honrar e reverenciar a D’us, e honrar e respeitar os pais) são igualados e assimilados hermeneuticamente. A Torá usa linguagem idêntica para os dois – “Assim foi ensinado” – veja nota 19; Kidushin 30 b.

Honrar os próprios pais é muito caro a Ele, por cuja palavra o mundo veio a existir. Pois Ele igualou honrar aos pais a honrar a Ele, e reverência (temor) aos pais a reverência (temor) a Ele, e amaldiçoar aos pais a amaldiçoar a Ele.

Está escrito “honra teu pai e tua mãe”, e de maneira correspondente está escrito “honra o Eterno com tua substância.” (Mishlê 3:9) Está escrito “todo homem temerá sua mãe e seu pai”, e de maneira correspondente está escrito “temerás ao Eterno teu D’us.” (Devarim 6:13). A Escritura, assim, iguala o temor aos pais ao temor a D’us.Está escrito “e aquele que amaldiçoa seu pai ou sua mãe”, etc., (Shemot 21:17) e correspondentemente está escrito “todo aquele que amaldiçoa seu D’us” (Vayicrá 25:15). A Escritura assim iguala a maldição aos pais com a maldição a D’us. De fato, os deveres especificos da piedade filial são derivados por analogia dos deveres da pessoa para com D’us. Imbuído com essa idéia, o Sábio talmúdico Rabi Joseph, quando ouvia os passos da mãe, costumava dizer: “Eu me levantarei perante a Shechiná (Divina Presença) que se aproxima! [Kidushin 31 a).

Na verdade, Rabi Shimon bar Yochai é da opinião que D’us confere maior importância a honrar os pais que honrar a Ele: D’us é honrado “com sua substância” (Mishlê 3:9) i.e., com aquilo que Ele graciosamente concedeu ao homem. Se você tem substância, está obrigado a separar o dízimo, cuidar dos pobres e famintos, adquirir artigos religiosos, etc.; e se você não tem, não está obrigado a nenhum desses itens. Porém quando se trata de honrar os pais, tenha você ou não os meios – “Honra teu pai e tua mãe”, mesmo que você tenha de mendigar de porta em porta para viver! [Yerushalmi, ibid.]

Quando não Obedecer; Uma Exceção
Existe porém uma importante qualificação.O fato de que os preceitos de honrar e respeitar os pais sejam ordens Divinas implica não apenas a ampla extensão e importância dessas mitsvot, como também sua limitação. É D’us que prescreve estas mitsvot,e é a Torá de D’us que delineia seus detalhes especificos. Estas mitsvot são, portanto, partes integrais da Torá e sujeitas a ela. Jamais podem se aplicar a incidentes que pudessem contrariar a letra ou o espírito da Torá.

“Todo homem deve temer sua mãe e seu pai, e guardar meu Shabat; Eu sou o Eterno teu D’us.” A Escritura justapõe a observância do Shabat ao temor do próprio pai a fim de ensinar que “embora eu advirta você sobre o temor ao seu pai, se ele o levar a profanar o Shabat não lhe dê ouvidos [e o mesmo no caso de qualquer outro mandamento], pois “Eu sou o Eterno teu D’us” – tanto você quanto o seu pai estão igualmente obrigados a Me honrar, Portanto, não o obedeça se isso resultar em desobedecer Minhas palavras.” [Rashi sobre Vaiycrá 19:3; Yevamot 5 b; Bava Metzia 32 a].

Se os pais ordenarem aos filhos que transgridam um mandamento positivo ou negativo da Torá, ou mesmo um mandamento de origem rabínica, o filho deve desconsiderar a ordem. Além disso, no caso em que o pai pede um serviço pessoal a seu filho enquanto este tem uma mitsvá a cumprir, então: se a mitsvá pode ser cumprida por outros, que ele a delegue a outros e atenda ao dever de honrar seu pai, pois um mandamento não deve ser negligenciado a fim de cumprir outro. Porém se não houver outros para cumprirem a mitsvá (e esta não pode ser adiada), ele deve cumpri-la e desconsiderar a honra devida ao seu pai, porque tanto ele quanto o pai devem cumprir o mandamento. Este deveria incluir especialmente o dever de estudar Torá, que supera aquele de honrar aos pais (Hilchot Mamrim, 6:12f, Shulchan Aruch, ibid. 240:12f e 25 (note os comentários ad loc.).

Exemplos de “Filhos Modelos”
Citamos acima as definições legais e explicamos o que significa honrar e respeitar os pais. O Talmud oferece algumas ilustrações esclarecedoras tiradas da vida real para ensinar a extensão dessas mitsvot.

É interessante notar que o filho modelo freqüentemente citado é um não-judeu proeminente chamado Dama, filho de Netina. Conta-se sobre ele como preferiu deixar de lado uma grande fortuna para não acordar seu pai. O mesmo Dama certa vez vestiu uma capa de seda bordada a ouro e estava sentado entre seus amigos nobres quando sua mãe chegou, rasgou suas roupas e o desnudou, golpeou-o na cabeça e cuspiu em seu rosto, porém ele não a envergonhou (Kidushin 31 a).

Sobre Rabi Tarfon relata-se que sua mãe certa vez caminhava no jardim e sua sandália se partiu, portanto ela teria de ir para casa descalça. Rabi Tarfon começou a estender as mãos sob os pés dela para que pudesse caminhar sobre elas durante todo o percurso. Um dia ele ficou doente e seus colegas foram visitá-lo. Sua mãe disse a eles: “Rezem pelo meu filho Rabi Tarfon, pois ele me honra mais do que mereço.”

“O que ele fez a você?” perguntaram eles. Ela contou o que tinha acontecido. Eles responderam:

“Se ele tivesse feito mil vezes mais, não teria feito metade da honra requerida pela Torá!” [Yerushalmi, ibid. Veja também Kidushin 31 b].

Notando a profunda importância e o amplo alcance dessa mitsvá, é fácil entender por que é mencionada como a mais difícil, o “mais pesado dos mandamentos pesados.” Esta severidade é superada apenas pelas bênçãos Divinas correspondentes, que o homem colhe neste mundo e no Mundo Vindouro. É por isso que Rabi Zeeyra, que ficou órfão na infância, a princípio ficou triste e disse: “Oh, quisera eu tivesse pai e mãe para poder honrá-los e herdar o Paraíso!” Porém quando ele ouviu histórias como as de Rabi Tarfon, ele exclamou: “Bendito seja o Misericordioso por eu não ter pai nem mãe, pois eu não teria agido dessa maneira!”

A declaração de Rabi Zeeyra não significa que as obrigações de honrar e respeitar os pais cessem com sua morte. Estas mitsvot continuam valendo mesmo então, embora os deveres possam ser diferentes. Mesmo depois da morte deles, a pessoa deve expressar reverência quando mencionar os pais. A recitação do cadish, preces memoriais [Yizkor], etc. também são atos de piedade filial. Além disso, junto com estas práticas ocasionais há uma maneira de observar constantemente essas mitsvot, após o falecimento dos pais, não menos que durante sua vida, como vemos a seguir:

Comportamento dos Filhos e Honra aos Pais
Todos devem ter em mente que seu comportamento pessoal reflete muito o dos pais. Quando alguém leva uma vida exemplar, isso é fonte de alegria e honra aos seus pais. De modo contrário, o comportamento inadequado de um filho é fonte de desgraça e ignomínia aos pais, aos seus próprios olhos e aos olhos de outros. [Veja Berachot 17 a; Yoma 86 a; Kesubot 45 a.]. O comportamento da pessoa, portanto, não é um assunto estritamente privado, mas está relacionado intrinsecamente com o preceito “Honra teu pai e tua mãe.” E assim foi ensinado:

“A Escritura declara: ‘Um filho honrou seu pai e um servo seu amo.’ (Mal. 1:16) Um filho honrou seu pai como está escrito ‘Honra teu pai e tua mãe’ – e estabelecemos que isso foi feito com comida, bebida e todas as coisas. Mas não pense que depois da morte dos pais a pessoa está isenta, pois não é assim; pois embora ele tenha morrido, o filho é obrigado a honrá-lo ainda mais, como está escrito ‘Honra teu pai’, etc.

“Quando o filho percorre um caminho torto ele certamente trará desonra e vergonha sobre seus pais. Porém se ele caminha na trilha correta e seus atos são justos, ele certamente conferirá honra aos pais, honrando-os neste mundo entre os homens e no Mundo Vindouro com o Eterno, bendito seja…

“Um exemplo é Rabi Elezar que honrou seu pai neste mundo e no Mundo Vindouro. Rabi Shimon agora é honrado mais nos dois mundos… mais que durante sua vida, por ter merecido filhos sagrados e sagrada ascendência.

“Felizes são os justos que mereecem ter filhos sagrados e uma sagrada ascendência sobre a qual foi dito” ‘Todos que os vêem reconhecem que são a semente que o Eterno abençoou.’ (Yeshayáhu 61:9) Amen. [Zohar III:115 b Cf. Kalla Rabathi cap. 2; Zohar Chadash 84 c.]

Algumas Leis Básicas de “Kibud Av Va-Em”
[Além das várias leis já citadas.]

1. A pessoa deve ser muito cuidadosa em honrar e respeitar pai e mãe, pois a Torá compara isto com honra e reverência a D’us.

2. Tanto homem quanto mulher devem honrar e respeitar os pais. No entanto, uma mulher casada não está em situação de suprir seus pais com suas necessidades, visto que ela depende de outros, e portanto está isenta disso. Porém ela é obrigada a fazer pelos pais tudo que puder, desde que seu marido não ponha objeções.

3. A pessoa deve honrar e respeitar sua madrasta durante a vida do pai e seu padrasto durante a vida da mãe. É correto que a pessoa os respeite mesmo depois da morte do próprio pai ou mãe.

4. Deve-se honrar e respeitar o sogro e sogra (como vimos que o Rei David honrou o Rei Shaul, que era seu sogro, chamando-o de “meu pai”; veja Shmuel 24:12). Da mesma forma, deve-se honrar e respeitar os avós. Também implícito nessa mitsvá está que se deve honrar irmão e irmã mais velhos.

5. Se o pai ou a mãe está dormindo e a chave da loja do filho está sob o travesseiro deles, não se deve acordá-los, mesmo que seja para perder muito lucro. No entanto, se o pai teria algum benefício sendo acordado, e se o filho não o acordar o pai lamentará a perda do lucro, é dever do filho despertá-lo, pois isso deixará o pai feliz. É também dever do filho acordar o pai para o cumprimento de um dever religioso (que de outra forma seria negligenciado), pois todos estão igualmente obrigados a honrar o Todo Poderoso.

6. Se a mente do pai ou da mãe está afetada, a pessoa deve se esforçar para ser indulgente com os esquecimentos do pai, até que D’us tenha piedade dele. Porém se a condição piorou e o filho não consegue mais suportar o esforço, pode deixar seu pai ou sua mãe ao cuidado de outros, desde que seja adequado.

7. Quando um filho vê seu pai violar a Torá, não deve dizer “Você violou um mandamento da Torá”; mas sim dizer: “Pai, não está escrito assim e assim na Torá?” falando com ele como se o estivesse consultando em vez de admoestando, para que o pai possa corrigir-se sem se envergonhar.

8. A Torá é rigorosa não apenas com respeito àquele que maltrata ou amaldiçoa os pais mas também com aquele que os envergonha. Pois aquele que os trata com desprezo, usando palavras duras contra eles, ou mesmo um gesto descortês, é amaldiçoado por D’us, como está escrito: “Amaldiçoado seja aquele que desonra seu pai ou sua mãe.” (Devarim 27:16)

9. A pessoa deve honrar seus pais mesmo depois da morte deles. Ao mencionar os pais depois da morte deles, a pessoa deve acrescentar: “Que sua memória seja abençoada.”

10. Embora os filhos sejam ordenados a fazerem todo o mencionado acima no relacionamento com os pais, o pai está proibido de impor um jugo muito pesado sobre eles, para não fazê-los tropeçar. Deve perdoá-los, pois um pai tem o direito de deixar passar a honra que lhe é devida. Por Jacob Immanuel Schochet

Judaismo é ação!

O Judaísmo é uma religião de 613 mandamentos, não uma série de "nisto deves acreditar" e "nisto não deves acreditar", mas de 613 leis divididas entre "isto deves fazer" e "isto não deves fazer". Exige o cumprimento das 613 mitsvot, preceitos da Torá.

Se alguém vier e lhe perguntar: "Você é religioso?" hoje em dia encontraremos muitos judeus que responderão: "Posso não me manter casher, posso não guardar o Shabat, talvez não cumpra nenhuma das leis da Torá, mas sou judeu no coração." Qual o significado desta declaração? É que judeus hoje, vivendo num mundo com outras influências dominantes - onde religião é definida por outros padrões que não os atos - estão se identificando como judeus "devotos". Muito mais do que simples fé ou credo, quando um judeu fala sobre D'us, deve estar mais preocupado com atos.

Você é um judeu, em termos judaicos, significa: "Você cumpre a Torá e as mitsvot? Observa a Aliança feita há muito tempo no Sinai - na qual, conforme dizem nossos sábios, cada alma judaica de todas as gerações estava presente e persuadiram D'us a nos tornar o Seu povo através da declaração 'Naassê ve Nishmá', 'faremos e [só então] entenderemos?'" Para o judeu, a revelação não foi um meio para que o homem visse a aparência de D'us. Ao contrário, foi a maneira que D'us usou para fazer os judeus saberem o que era importante para Ele através da revelação de Seu propósito, ao invés de Sua pessoa.

Ser um "judeu no coração" não é suficiente. A ênfase está nas ações, não em pensamentos; no corpo, não apenas na mente. Ter fé é fundamental, um judeu deve crer, sem dúvida. Entretanto, o propósito da crença em uma Divindade é assegurar que as mitsvot sejam cumpridas. A crença em D'us não é a mensagem, mas o meio. O objetivo não é D'us, mas uma vida de santidade, para a qual crença é simplesmente um pré-requisito. Em que deve um judeu acreditar? Deve tratar primeiro das ações, porque estabelecemos que para os judeus esta é a prioridade número 1.

Cuidados com “D’us”

Por que em muitos locais, inclusive neste site, há o cuidado de escrever o nome de D’us incompleto? Não se pode escrever e apagar?


RESPOSTA:
Rabino Vidal Bekerman
É proibido apagar o nome de D'us. Porém, a maioria das autoridades haláchicas consideram a tela do computador e seu conteúdo – mesmo o nome de D'us ou palavras de Torá – como não tendo santidade. Ao contrário da palavra manuscrita ou impressa, que se pretendem sejam permanentes, não há intenção para palavras digitadas numa tela de computador de que sejam permanentes; assim que você termina seu trabalho você fecha a tela e tudo ali é “apagado”. (Os dados criptografados no disco rígico não têm importância haláchica). Não é um meio feito para apoiar algo permanente, pois os pixels que formam as letras numa tela de computador estão constantemente sendo renovados e são considerados como sendo mais virtuais que reais.

Mesmo quando digitamos e movemos o cursor numa tela, as letras e suas posições estão constantemente se movendo na tela – apagando-as de uma área na tela e as recriando em outra parte – tornando o apagar um ato constante.

Pode-se portanto apagar o nome de D'us ou palavras da Torá da tela de um computador. Ocorre, porém, que também não há necessidade de digitar “D'us” - com hífen ou aspa.No entanto, é melhor e todos procuram sempre escrever “D'us” dessa forma, com hífen, apostrofe, sublinhado, etc., mesmo quando digitarem num computador já que há sempre a preocupação (e o risco) de que você ou outra pessoa imprimirá o texto que está na tela.